TABULEIRO POLÍTICO

‘Sai menor do que entrou’, diz cientista político sobre desistência de Cleitinho de disputar Governo

Especialista analisa como fica a disputa ao Palácio Tiradentes com a saída do líder nas pesquisas de intenções de voto

Gabriela de Castro*
gabriela.castro@hojeemdia.com.br
Publicado em 03/08/2026 às 19:01.Atualizado em 03/08/2026 às 19:07.
Senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) (Carlos Moura/Agência Senado)
Senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) (Carlos Moura/Agência Senado)

Líder em todas as pesquisas de intenção de voto, mesmo sem ter oficializado a candidatura ao Governo de Minas, Cleitinho Azevedo (Republicanos) sai do tabuleiro político mineiro "menor do que entrou". É o que afirma o cientista político e diretor do Instituto Ver, Malco Camargos, após o senador anunciar nesta segunda-feira (3) que não vai disputar o Palácio Tiradentes.

“Cleitinho entrou cheio de coragem, não se expôs na eleição e agora, logo depois de anunciar que certamente seria candidato, volta atrás e alega motivos pessoais”, afirma Malco Camargos, ao relembrar o pronunciamento do parlamentar na semana passada, em praça pública de Divinópolis, quando gritou: "eu sou candidato! A chapa é eu e Falcão"

O analista político reforça que Cleitinho funciona como um "sangue O Negativo", ou seja, doa votos para todos os nomes que estão na corrida eleitoral. “A dúvida é o quanto ganha cada candidato e também o que vem a partir daí, se será Marcelo Aro ou se será um outro candidato”. 

“Mas ganha Mateus Simões (PSD), ganha Alexandre Kalil (PDT), ganha Patrus Ananias (PT), ganha até Gabriel Azevedo (MDB) e talvez ganhe também Marcelo Aro. E quem perdeu? Perdeu Cleitinho, e perdeu muito”, acrescenta Malco.

Liderança na internet não é suficiente 

O cientista político afirma que o episódio envolvendo o impasse entre Cleitinho e o partido demonstra, na prática, como os partidos são fundamentais para a política. “Mostra que a liderança na internet não é suficiente para poder angariar com força o Palácio Tiradentes. E também mostra que na política não há vácuo de poder. Quem joga parado acaba sendo substituído”.

A informação de que Cleitinho não disputará o Governo de Minas foi confirmada pelo próprio parlamentar nesta segunda-feira (3), após reunião em Brasília. No vídeo postado nas redes sociais, o senador aparece ao lado dos presidentes nacional e estadual do Republicanos, os deputados federais Marcos Pereira e Euclydes Pettersen. 

Aos prantos, o senador pediu "perdão" aos mineiros e disse que problemas familiares enfrentados nas últimas semanas motivaram a decisão. O irmão dele, Matheus, morreu em 18 de  julho. "O momento não está fácil. Não adianta eu querer cuidar de vocês se eu não estou conseguindo cuidar nem mesmo de mim. Eu preciso cuidar de mim, tenho que ser honesto com vocês, preciso falar a verdade", disse o parlamentar.

Cleitinho era líder em todas as simulações de intenções de voto para o Governo de Minas divulgadas desde o início da corrida eleitoral. No levantamento da Genial/Quaest, da última terça-feira (28), o senador aparecia com 35%, à frente de Alexandre Kalil (PDT), com 12%, e Patrus Ananias (PT), 10%.

*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca

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