Sem Cleitinho, disputa fica aberta: 'ele é o sangue O Negativo, doador de votos', diz especialista
Cientista político explica redistribuição de votos na corrida pelo Palácio Tiradentes

A sinalização do Republicanos de barrar a candidatura do senador Cleitinho Azevedo ao Governo de Minas mexeu as peças do tabuleiro político no estado. Diante da possível ausência do nome que lidera as pesquisas antes mesmo de ser oficializado, quem se beneficia no jogo? Como se redistribuem os votos que seriam do parlamentar?
Ao Hoje em Dia, o cientista político e diretor do Instituto Ver, Malco Camargos, explica como o cenário deve se reorganizar com a mudança às vésperas do fim do prazo para oficialização de candidaturas. Conforme o especialista, a saída de Cleitinho abre votos variados, já que o senador atrai eleitores dos três campos ideológicos - esquerda, centro e direita.
“O Cleitinho é como se fosse um ‘sangue O Negativo’, pois é um doador universal de votos para todo mundo”, explica o analista político. “Sem ele, o jogo fica completamente aberto”. De acordo com Malco, parte do eleitorado se desloca para a candidatura da direita - seja a de Mateus Simões (PSD) ou até a possibilidade de Marcelo Aro (PP).
Segundo o especialista, nomes ligados ao centro, como Gabriel Azevedo (MDB), também puxam parte desses votos, assim como Patrus Ananias (PT), na esquerda. “A eleição começa sem nenhum favoritismo, sendo possível qualquer candidato alcançar o Palácio Tiradentes neste momento”, conclui o cientista político.
Marcelo Aro ganha força como possível peça no tabuleiro político
Poucas horas após a divulgação do comunicado do Republicanos sobre Cleitinho, as articulações nos bastidores políticos em torno de uma possível candidatura do ex-secretário de Governo de Minas, Marcelo Aro, se intensificaram. Segundo informações obtidas pela reportagem, a negociação teria avançado após uma reunião entre Aro, o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira.
Na leitura de Malco, talvez seja até mais fácil para Aro disputar a eleição para governador. “Ele entra defendendo um legado da direita em Minas”, explica o analista. “Dando certo sua aliança com o PL, com o Republicanos e com o União Brasil, ele entra com um grande tempo de TV e passa a ser um player viável na eleição para governador”.
Cleitinho fora da disputa: de quem é a culpa?
Assessores ligados a Cleitinho afirmam que, nos bastidores, o senador tenta reverter a decisão de Marcos Pereira, presidente do Republicanos. De acordo com Malco, será muito difícil o parlamentar sustentar a narrativa de que foi traído pelo partido. “A escolha dele de ter ficado com a vaga até o quanto quis definiu o cenário. Ele resolveu se posicionar ontem, mas teve a negativa hoje”, diz o especialista político.
*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
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