Simões defende obras para abater dívida com União e diz que proposta de adversários ‘parece loucura’
Atual governador quer usar parte dos pagamentos em rodovias federais no Estado

O governador de Minas, Mateus Simões (PSD), propôs que o Estado assuma obras em rodovias federais como forma de abater parte da dívida com a União. O candidato à reeleição afirmou que, além de manter os pagamentos ao Governo federal, quer negociar essa "nova" aplicação dos recursos. Ao comentar as propostas dos adversários, disse que a ideia de reduzir a dívida “parece loucura”.
“Eu tenho uma proposta bem diferente dos meus adversários com relação à dívida do Governo de Minas com o Governo federal, que eu gostaria de continuar pagando. Mineiro é bom pagador, a gente não gosta de receber favor dos outros. Mas que o valor, ou pelo menos uma parte dele, fosse aplicado nas rodovias federais em Minas”, afirmou, em entrevista ao Hoje em Dia.
O governador citou a necessidade de duplicar cerca de 2 mil quilômetros de rodovias federais em Minas. Segundo ele, o conjunto das obras teria custo estimado em aproximadamente R$ 10 bilhões. Entre as estradas mencionadas estão as BRs 381, 262, 040, 251, 116 e 362.
Questionado sobre como pretende tornar as contas do Estado sustentáveis em um eventual novo mandato, Simões afirmou que Minas já alcançou uma situação de equilíbrio nos pagamentos, mas ainda tem pouco espaço para investimentos.
Segundo Simões, o valor das parcelas pagas por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) reduziu. De acordo com ele, eram aproximadamente R$ 14 bilhões ao ano antes da renegociação, e, agora, em torno de R$ 6 bilhões.
A previsão apresentada pelo governador é que o valor avance gradualmente e se estabilize próximo a R$ 11 bilhões. No modelo anterior, segundo ele, poderia chegar a cerca de R$ 20 bilhões. Atualmente, a dívida do Estado com a União é de cerca de R$ 200 bilhões.
‘O que me parece loucura são as propostas dos meus adversários’, diz Simões sobre dívida de Minas
Ao falar sobre os candidatos que disputam o Governo de Minas, Simões criticou as propostas de redução do débito com a União. Para ele, como a dívida está consolidada, uma diminuição dependeria de um perdão por parte do Governo federal.
“Não sei como é que a dívida vai cair. A menos que viesse um perdão, e até hoje, o Governo federal só deu perdão para a Venezuela e para Cuba. Para estados brasileiros ele nunca deu”, afirmou.
O governador também voltou a criticar os juros pagos por Minas ao longo das últimas décadas. Segundo ele, o Estado foi prejudicado pelas condições do endividamento e, com a renegociação atual, passou a pagar juros zero.
Atual governador do Estado, Simões foi eleito vice-governador em 2022 e assumiu o cargo em março deste ano, com a saída de Romeu Zema (Novo). Com passagem pela Secretaria Geral do Estado, ele é advogado, professor e produtor rural.
* Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
Leia também: