Simões sobre fala de Zema em relação ao trabalho infantil: 'menores não sabem trabalhar no Brasil'
Gestor classificou o tema como uma 'discussão nacional' e argumentou que a atual legislação brasileira é excessivamente restritiva

O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), minimizou as recentes declarações do ex-governador Romeu Zema (Novo) sobre a inserção de menores no mercado de trabalho. Presente no Congresso Mineiro de Municípios (CMM) nesta terça-feira (5), Simões classificou o tema como uma "discussão nacional" e argumentou que a atual legislação brasileira é excessivamente restritiva, o que, segundo ele, impede que adolescentes entre 14 e 18 anos desenvolvam habilidades produtivas fundamentais antes da maioridade.
“Hoje no Brasil, os menores de 18 e maiores de 14 não sabem trabalhar. Porque a legislação proíbe que eles carreguem peso, que eles trabalhem em local aberto, que eles tenham contato com o calor, que eles trabalhem ao ar livre, que eles tenham contato com qualquer produto químico, basicamente eles só podem carregar papel, só que a gente não usa papel pra mais nada”, disse o governador.
De acordo com Simões, a legislação atual contribui para que muitos jovens cheguem aos 18 anos sem experiência prática ou disciplina profissional. "Hoje, o menino de 18 anos de idade sai do colégio e só sabe mexer com o celular".
Entenda
A polêmica teve início após Romeu Zema defender, em entrevista ao Podcast Inteligência LTDA, que o trabalho precoce, com proteção e sem prejuízo à escola, afasta o jovem da criminalidade e do tráfico de drogas. As declarações geraram fortes críticas de opositores.
No último sábado (2), Zema usou as redes sociais para explicar a defesa da volta do trabalho infantil no Brasil após ter sido criticado. O ex-governador de Minas e pré-candidato à Presidência da República disse que a intenção é expandir as oportunidades do jovem, “sem atrapalhar a escola”.
“O que eu defendo é ampliar oportunidades para quem quer começar cedo. Com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em vários países desenvolvidos. Porque o maior erro é deixar o jovem sem perspectiva, ou na informalidade”, postou o pré-candidato.
Atualmente, a Constituição Federal e a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permitem que jovens trabalhem a partir dos 14 anos exclusivamente na condição de aprendiz, com jornada reduzida e proibição de atividades em locais insalubres, perigosos ou no período noturno.
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