FUGA DE 'MILHÃO'

Voar do Equador aos EUA de jato, como Flávio Bolsonaro, pode custar o mesmo que um apartamento

Empresas de fretamento chegam a cobrar mais de R$ 1 milhão pelo trajeto

Leandro Alves*
@leandroalves04
Publicado em 29/10/2026 às 17:14.Atualizado em 29/10/2026 às 19:03.
O senador teria chegado no aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos, às 10h24 (Reprodução / Redes Sociais)
O senador teria chegado no aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos, às 10h24 (Reprodução / Redes Sociais)

Argentina, Equador e Estados Unidos. Essa foi a rota usada pelo senador e candidato derrotado à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), ao fugir do Brasil. O parlamentar chegou à “terra do Tio Sam” na quarta-feira (28), em um jato executivo de grande porte, do modelo Gulfstream G400. O custo somente para o trecho final da viagem pode passar de R$ 1 milhão, preço médio de um apartamento de três quartos no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.   

Segundo o site Flightaware, que permite realizar o rastreamento de voos em tempo real, Flávio teria saído - com a esposa e duas filhas - do aeroporto José Joaquín de Olmedo, em Guayaquil, capital do Equador, às 06h22 (horário de Brasília). 

O senador teria chegado no aeroporto Opa-Locka, em Miami, nos Estados Unidos, às 10h24 (horário de Brasília). 

Para apurar os valores, o Hoje em Dia pesquisou cinco empresas de fretamento. Na empresa Flyzar, fazer trajeto idêntico em um Gulfstream G400 ou em uma aeronave da mesma "família" varia de R$ 687 mil a R$ 1,26 milhão. 

Se a opção for contratar as empresas Fly Flapper ou Argentina Fly, a quantia pode ir de R$ 647 mil a R$ 783 mil, respectivamente. 

Para quem busca uma viagem mais em conta, a VistaJet faz o mesmo trajeto por R$ 330 mil. A JetFly vai na mesma linha e cobra R$ 413 mil. 

Os valores podem variar de acordo com o ano de fabricação da aeronave, tempo de viagem e condições de operação. Caso o jato seja da empresa, o preço é menor. Agora, se for necessário acionar algum parceiro, a quantia pode subir. 

Passaporte

O senador fugiu após descumprir a ordem judicial para entregar à Polícia Federal o passaporte italiano, que tem desde 2023. O prazo para apresentação do documento terminou na terça-feira (27) e foi estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também ordenou o cancelamento de todos os passaportes emitidos em nome do senador, incluindo os diplomáticos.

A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e um advogado. O suposto esquema envolveria empresas e plataformas de apostas on-line, conhecidas como bets.

Carta e autoproclamação

Também na quarta-feira, Flávio divulgou uma carta em tom golpista onde se autoproclamava o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirmando, sem apresentar provas, que as eleições do país foram fraudadas. Meia hora depois, o termo foi alterado para "líder" do país.

A acusação de fraude levou o próprio presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes - indicado ao STF em 2020 por Jair Bolsonaro - a reafirmar que as eleições de 2026 transcorreram "dentro da mais absoluta normalidade e com respeito aos ditames legais e constitucionais". 

*Estagiário, sob a supervisão Ana Paula Lima

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