'Volta' de Cleitinho fragmenta a direita na disputa pelo Governo de MG, avalia cientista político
Para especialista, senador recupera espaço que já ocupava na disputa, mas idas e vindas podem gerar dúvidas entre eleitores sobre capacidade de gestão

A "volta" do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) à disputa pelo Governo de Minas reorganiza a corrida eleitoral, aumenta a fragmentação da direita e torna mais difícil uma definição ainda no primeiro turno. A avaliação é do cientista político Malco Camargos, que aponta que o parlamentar retoma um espaço eleitoral que já ocupava, mas terá de mostrar se as idas e vindas das últimas semanas afetaram a confiança dos eleitores.
Para o especialista, a demora de Cleitinho em consolidar a candidatura contribuiu para que o campo da direita chegasse dividido à disputa. Malco considera que, caso Cleitinho tivesse ficado fora da eleição, os votos ligados ao senador poderiam se distribuir entre candidatos de diferentes campos políticos. Com o retorno, no entanto, não haveria um único nome beneficiado.
“Cleitinho, se não fosse o candidato, poderia ser considerado um doador O negativo, uma vez que ele doava os seus votos a vários candidatos de diferentes matizes ideológicas, ou seja, de esquerda, de centro, de direita. Ele retomando ao posto, não tem um grande beneficiado. Ele vai ficar com os votos que tem e, a partir daí, o jogo se rearranja novamente”, explica.
Direita dividida na disputa pelo Governo
Na avaliação do cientista político, Cleitinho disputa votos principalmente no campo da direita, embora também tenha eleitores de centro e da esquerda. Nesse cenário, ele cita outros dois nomes que passam a dividir esse bloco do eleitorado: Flávio Roscoe (PL) e Mateus Simões (PSD).
Roscoe, segundo Malco, busca apoio pela associação com Flávio Bolsonaro. Já Simões passa a contar com mais tempo de televisão e pode utilizar esse espaço para ampliar o reconhecimento entre os eleitores.
“Flávio Roscoe, ao ter Flávio Bolsonaro, tenta entrar no jogo através da polarização. E Mateus Simões, que agora ganha mais tempo de TV com a chegada do União e do PP, também pode usar esse espaço de comunicação para superar o que ele não conseguiu até agora: ser reconhecido como um governador e como alguém capaz de conduzir Minas pelos próximos quatro anos”, afirma.
Para Malco, os movimentos dos últimos dias reorganizaram principalmente a disputa dentro da direita. No centro, Alexandre Kalil e Gabriel Azevedo enfrentariam outro desafio: serem percebidos pelo eleitorado. Já Patrus Ananias, sozinho no campo da esquerda, pode manter uma estratégia ligada à própria trajetória e à condição de candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Idas e vindas de Cleitinho podem pesar?
O impacto da sequência de recuos e retomadas de Cleitinho ainda precisará ser medido, segundo o cientista político. Ele considera que as próximas pesquisas de intenção de voto e, sobretudo, levantamentos qualitativos realizados pelas campanhas poderão indicar se os acontecimentos recentes afetaram a relação do senador com o eleitor.
Malco aponta justamente a possível percepção de instabilidade como uma das dificuldades que Cleitinho terá de enfrentar durante a campanha. “Depois dos últimos atos, os eleitores podem ter alguma desconfiança em relação à sua capacidade de gestão, uma vez que mostrou uma certa instabilidade, mostrou idas e vindas, características que não são bem vistas quando estamos falando de um líder”, avalia.
Redes sociais são força de Cleitinho
Em contrapartida, o cientista político vê na presença digital um dos principais ativos eleitorais do senador. Segundo ele, a capacidade de mobilização, o número de seguidores e a conexão estabelecida com esse público dão força à candidatura.
O desafio será levar a campanha para além das redes sociais. Com o avanço da disputa, Malco avalia que Cleitinho será cobrado pela imprensa e pelos adversários sobre propostas e sobre a estrutura de seu projeto para governar Minas.
Palanques presidenciais
A disputa presidencial também pode interferir no cenário mineiro. Na esquerda, Malco aponta que a relação entre Lula e Patrus tende a ser determinante, já que o presidente conta com um único candidato nesse campo em Minas.
Na direita, o cientista político considera que o apoio de Flávio Bolsonaro a Flávio Roscoe pode impulsionar a candidatura do empresário, embora outros candidatos desse espectro também tenham vínculos próprios com o eleitorado.
Apesar da reorganização das candidaturas, Malco não espera necessariamente uma transformação imediata nos números das primeiras pesquisas realizadas após a volta de Cleitinho. Para ele, mudanças mais significativas poderão aparecer conforme a campanha avançar e os eleitores passarem a acompanhar mais atentamente a disputa. Segundo o cientista político, o momento mais importante para observar a movimentação do eleitorado será após o início da campanha, no dia 16.
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