Votos dos indecisos têm peso limitado no 1º turno, mas podem fazer diferença no 2º
Dados da Datafolha apontam 2% de indecisos no primeiro turno; 18% de quem já escolheu um candidato ainda considera mudar de voto

Só 2% dos eleitores ainda não decidiram em quem vão votar para presidente no 1º turno neste domingo (4), aponta a última pesquisa Datafolha. O percentual de indecisos é pequeno, mas em números absolutos chega a 3 milhões de brasileiros - em 2022, Lula (PT) venceu Jair Bolsonaro (PL) por 2,1 milhões de votos de vantagem. Além disso, 18% dos que já definiram o candidato não estão convictos, ou seja, podem mudar de opinião.
Em uma eleição tão acirrada como a de 2026, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro praticamente empatados na margem de erro - petista soma 42% e o filho do ex-presidente, 38% - será que os votos dos indecisos e dos que ainda rever a escolha podem ajudar a definir a eleição presidencial? Cientistas políticos ouvidos pelo Hoje em Dia afirmam que os números são relativamente pequenos para o primeiro turno, mas capazes de fazer a diferença em um eventual 2º turno.
Para Vitor Sandes, doutor em Ciência Política pela Unicamp e professor da UFPI, a possível distribuição desses votos não teria efeito tão impactante. Segundo o especialista, a tendência é que uma parte dos indecisos se abstenha, outra vote em branco ou nulo e o restante se dilua entre os todos os candidatos.
“Se esse percentual fosse elevado, por exemplo, em torno de 5 a 10% de indecisos, teríamos um cenário muito mais aberto, a ponto de gerar uma imprevisibilidade e não sabermos, por exemplo, se teria a possibilidade de resolução do primeiro turno ou de um segundo colocado ultrapassar o primeiro”, explica.
Em um eventual 2º turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), o número de indecisos, segundo o Datafolha, cai para 1%. Para Vitor, apesar do percentual diminuir ainda mais, o dado ganha mais peso por conta do cenário diferente.
“Em uma disputa acirrada (no 2º turno), qualquer movimentação de indecisões, ainda que mínima, se torna relevante”, afirma o cientista político. “Ainda mais considerando que na eleição passada, no segundo turno, o Lula foi eleito com pouco mais de 2 milhões de votos.”
Mulheres representam maior parte dos indecisos, diz sociólogo
Sociólogo, cientista político e presidente do Instituto Cultiva, Rudá Ricci afirma que, em eleições anteriores, a maioria dos indecisos era formada por mulheres. Segundo ele, é um eleitorado que toma decisões levando em consideração, principalmente, as políticas públicas percebidas no cotidiano.
“Elas são mais reflexivas, não entram nesse oba-oba que os homens entram, então elas não entram em jogadas muito rápidas”, diz o especialista.
Para Rudá, apesar de haver uma tendência entre as eleitoras (que é votar no campo progressistas), a decisão das mulheres se baseiam, principalmente, em questões do próprio cotidiano. "É um voto mais cidadão", afirma.
O sociólogo cita temas que mais interessam as mulheres: segurança, alimentação e sucesso individual no futuro. “Então, se eles (campanhas dos candidatos) querem falar com os indecisos e a maioria são mulheres, eles têm que falar essa linguagem”, afirma.
Pesquisa aponta que quase 20% dos que decidiram voto não estão convictos
O levantamento do Datafolha traz ainda o dado de que 82% dos eleitores que já definiram o voto estão convictos da decisão, o que significa que 18% ainda consideram mudar de ideia. Para a doutora em Ciência Política pela UFMG Érica Anita Baptista Silva, o percentual também é uma possibilidade de aposta para as campanhas.
“É uma chance de mudança, sim. Vale a pena investir, o que não vale a pena é mexer com o voto cristalizado. Pregar para convertido nunca valeu a pena”, diz a especialista, que é pesquisadora do Grupo Opinião Pública. "Às vezes, pode se tratar de um eleitor que está pendendo para um candidato, mas não gosta 100% dele. Gosta um pouco, mas também gosta um pouco do outro candidato”.
Érica também aposta na conversa com os eleitores como estratégia tanto para quem não está convicto quanto para os indecisos. “Não sei se agora é o candidato que muda o voto, acredito que é o eleitor dos candidatos. Ele é capaz de mudar um voto contando a experiência dele e passando experiência pra frente”.
*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
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