
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), afirmou que a convocação dele pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS é uma “retaliação eleitoral” articulada pelo Partido dos Trabalhadores. Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou que a decisão é uma tentativa de prejudicar sua campanha como candidato à Presidência da República.
"Agora inventaram mais essa da CPI pra ser utilizada como retaliação eleitoral. E nós sabemos muito bem o motivo: eles têm medo da eleição, de gente competente, de gente que faz o certo. A empresa da minha família nunca foi investigada por nada. O próprio ofício da convocação não aponta uma única suspeita, por menor que seja. Tudo é muito claro e muito transparente", disse Zema.
O vídeo veio à tona horas depois da CPMI do INSS aprovar a convocação do governador e do dono do banco Máster, Daniel Vorcaro, na quinta-feira (4).
"Essa convocação para a CPI não é de forma alguma busca pela verdade. É sim uma retaliação eleitoral contra um pré-candidato que parece estar incomodando muito, porque já mostrou que conserta os erros do PT. Querem criar uma cortina de fumaça para esconder o verdadeiro escândalo que envolve pessoas do governo federal contra os aposentados. Não vão me intimidar", completa Zema.
As medidas fazem parte das investigações sobre possíveis irregularidades na oferta de empréstimos consignados a aposentados e pensionistas. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) justificou que o Banco Master está entre as entidades com maior número de reclamações relativas a direitos do consumidor.
Daniel Vorcaro já foi preso e posteriormente liberado em meio à Operação Compliance Zero; que apura supostas fraudes no mercado financeiro e movimentações que podem chegar a bilhões de reais. A CPMI também aprovou o envio de relatório do Coaf com as movimentações bancárias do executivo.
Além do Master, dirigentes de outros bancos - Daycoval, Pan, Agibank e BMG - também serão ouvidos. Já as convocações de representantes do Santander, Crefisa, C6 e da Zema Financeira foram rejeitadas.
Convocação de Zema gera disputa no colegiado
O pedido para ouvir o governador Romeu Zema foi apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), que afirma que a Zema Financeira, ligada à família do chefe do Executivo mineiro, foi uma das autorizadas pelo governo federal a conceder empréstimos consignados a beneficiários do antigo Auxílio Brasil, possibilidade aberta pela Medida Provisória 1.106 de 2022.
“Zema foi uma das poucas instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central a oferecer a linha de crédito, que desconta a parcela direto do pagamento feito pelo governo para famílias vulneráveis em até 40% do valor do benefício”, escreveu o parlamentar mineiro.
Zema enviou nota à comissão pedindo para não ser convocado. Ele afirmou que deixou a administração da financeira ao assumir o governo, mas segue como acionista, conforme exige a legislação. A convocação, e não um convite, obriga o comparecimento.
As deputadas Adriana Ventura (Novo-SP) e Damares Alves (Republicanos-DF) protestaram contra a decisão.
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