Antigo Hospital Maria Amélia Lins vai virar Instituto de Oftalmologia da Santa Casa em BH
Unidade deve começar a atender ainda em 2026 e ampliar em 120 o número de cirurgias oftalmológicas realizadas por mês

O antigo Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), no bairro Santa Efigênia, região Leste de Belo Horizonte, será transformado no Instituto de Oftalmologia da Santa Casa BH. A nova unidade, anunciada nessa terça-feira (1º), tem previsão de iniciar os atendimentos ainda em 2026 e deverá ampliar em 120 a quantidade de cirurgias oftalmológicas realizadas mensalmente pela instituição por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
O anúncio ocorre pouco mais de um mês após a Justiça determinar a reabertura do Maria Amélia Lins, que historicamente realizava cirurgias de trauma e ortopedia. Desde janeiro, o imóvel já estava sob administração da Santa Casa, escolhida pelo governo de Minas por meio de edital para assumir o espaço.
O contrato de cessão e permissão gratuita de uso tem duração inicial de cinco anos, com possibilidade de renovação. Pelo acordo, a Santa Casa assumiu as despesas de manutenção e conservação do prédio, além do pagamento de tributos e encargos.
A transformação do espaço em instituto terá investimento inicial estimado em R$ 5,4 milhões, destinado a reformas e à infraestrutura necessária para os novos serviços. A implantação ocorrerá em etapas, começando pela abertura das salas cirúrgicas e pelo início dos atendimentos oftalmológicos. Posteriormente, a estrutura assistencial será ampliada.
Segundo a Santa Casa, o objetivo é aumentar a capacidade de uma linha de cuidado que já existe na instituição. Atualmente, o serviço de oftalmologia é dividido entre ambulatório especializado, pronto atendimento e Centro de Referência de Glaucoma e Catarata e registra cerca de 38 mil atendimentos por mês.
A estrutura atual conta com três salas cirúrgicas e uma de recuperação, além de 14 consultórios e quatro salas de exames para consultas eletivas. O atendimento inclui desde exames preventivos e diagnósticos até cirurgias de alta complexidade e fornecimento de colírios a pacientes diagnosticados com glaucoma.
Outros atendimentos serão ampliados
O projeto para o antigo Maria Amélia Lins não ficará restrito à oftalmologia. Está prevista também a implantação de um ambulatório de diálise peritoneal para treinamento, acompanhamento e suporte aos pacientes atendidos pelo SUS.
Com a ampliação, a capacidade desse serviço deve passar de 175 para 249 pacientes, acréscimo de 74 atendidos. O projeto prevê ainda 40 novos atendimentos mensais em saúde auditiva e 400 exames adicionais de ultrassom transvaginal por mês.
Justiça determinou reabertura
Em julho, a Justiça de Minas Gerais determinou a reabertura do Hospital Maria Amélia Lins após acolher denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Na ação, o órgão apontou que a unidade vinha passando por um processo de desmonte. Relatos de coordenadores médicos mencionavam problemas como superlotação, cancelamento de cirurgias e aumento dos riscos para pacientes.
À época, o governo de Minas e a Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) contestaram a ação e argumentaram que a reorganização da rede hospitalar era uma decisão administrativa de gestão que não deveria sofrer intervenção judicial. A Advocacia-Geral do Estado informou que ainda não havia sido intimada e que se manifestaria no processo após a notificação.
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