Brasileiros vivem 7 anos a mais, mas pandemia interrompe avanço histórico, aponta estudo da UFMG
Levantamento mostra queda na mortalidade em 30 anos, mas Covid-19 reduziu expectativa de vida no país

A expectativa de vida dos brasileiros aumentou em cerca de sete anos nas últimas três décadas, impulsionada pela redução de doenças infecciosas e cardiovasculares. No entanto, esse avanço foi interrompido pela pandemia de Covid-19, que elevou a mortalidade em cerca de 28% entre 2019 e 2021.
É o que mostra pesquisa coordenada pela professora Deborah Carvalho Malta, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, e publicada na revista científica The Lancet Regional Health – Americas.
Os dados serão apresentados na próxima segunda-feira (6), em evento online. O estudo analisou indicadores de saúde no Brasil entre 1990 e 2023 e aponta que, apesar dos avanços históricos, o país ainda enfrenta desafios como doenças crônicas, desigualdades regionais e impactos persistentes da pandemia.
Avanço interrompido pela pandemia
Segundo a pesquisa, o padrão de melhora contínua na saúde foi interrompido com a chegada da Covid-19. A doença se tornou a principal causa de morte em 2020 e 2021, provocando aumento expressivo nos índices de mortalidade e na carga de doenças.
“A pandemia de covid-19 retrocedeu 3,4 anos da expectativa de vida dos brasileiros, revertendo décadas de progresso”, destacou a pesquisadora Deborah Malta.
Apesar disso, parte desse impacto começou a ser revertido entre 2021 e 2023, com a retomada gradual dos indicadores.
Mesmo com a pandemia, doenças cardiovasculares continuam liderando as causas de morte no país. O estudo aponta que acidentes vasculares cerebrais (AVC) e doenças coronarianas permanecem no topo da lista. Outro dado relevante é a mudança no principal fator de risco: o índice de massa corporal (IMC) elevado passou a liderar em 2023, superando a hipertensão arterial.
Desigualdade regional
A pesquisa também identificou diferenças significativas entre estados. Regiões como Norte e parte do Centro-Oeste registraram os maiores impactos durante a pandemia, com aumento de mais de 50% na mortalidade em estados como Amazonas, Roraima e Rondônia.
De acordo com a pesquisadora, as diferenças regionais nos resultados de saúde durante a pandemia refletem desigualdades de longa data nas condições de vida e na capacidade do sistema de saúde das regiões brasileiras.
“Entre 1990 e 2023, os estados do Sul e Sudeste experimentaram maiores melhorias a longo prazo e menores retrocessos pandêmicos, enquanto a mortalidade padronizada por idade aumentou mais de 50% no Amazonas (51,4%), Roraima (50,5%) e Rondônia (52,8%), com taxas de mortalidade superiores a 900 óbitos por 100 mil habitantes em 2021.”
O levantamento aponta ainda mudanças no perfil de adoecimento da população. Em 2023, transtornos de ansiedade passaram a liderar a carga de doenças entre mulheres, enquanto a violência interpessoal teve maior impacto entre homens.
Para os pesquisadores, o cenário exige novas estratégias. “As principais prioridades serão a promoção do envelhecimento saudável, o manejo de doenças crônicas e a preparação do sistema de saúde para futuras crises sanitárias”, afirmou Malta.
Evento vai detalhar resultados
Os dados completos serão discutidos no dia 6 de abril, às 17h, em transmissão online pelo canal do Centro de Telessaúde HC-UFMG no YouTube, com participação de pesquisadores brasileiros e internacionais.
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