
O Brasil enfrenta um cenário crítico de saúde pública masculina. O alerta é da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), que aponta o câncer de pênis como causa direta de 2.3 mil mortes no país de 2021 a 2025. O diagnóstico tardio provocou ainda 3 mil amputações no período.
Os dados da SBU mostram alta de 15% dos casos em relação ao recorte de 2011 a 2020, quando o país registrava média aproximada de 450 óbitos anuais.
Levantamento mostra também que a letalidade da condição é maior na região Sudeste, com São Paulo encabeçando as estatísticas, seguido por Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Sul, o Rio Grande do Sul é o estado com maior número de perdas.
Sinais e sintomas mais comuns do câncer de pênis
O urologista e professor de Medicina Renato Martins Araújo explica que o câncer de pênis é uma neoplasia maligna rara, sendo que grande parte dos casos correspondem ao carcinoma espinocelular (CEC), que se origina do epitélio da glande ou do prepúcio.
“A doença ocorre com maior frequência entre a quinta e a sexta décadas de vida e está associada à infecção pelo HPV em cerca de metade dos casos", alerta o especialista.
Segundo o médico, os sinais e sintomas mais comuns incluem a presença de uma lesão persistente no pênis, que pode se manifestar como úlcera, lesão verrucosa ou área eritematosa. Também podem ocorrer secreção com odor fétido, sangramento e dor, geralmente em fases mais tardias. "Além disso, pode haver aumento dos linfonodos inguinais”.
O urologista comenta que a prevenção contra procedimentos mais agressivos, como a amputação, depende fundamentalmente do diagnóstico precoce.
Como evitar o câncer e as amputações de pênis?
Embora o câncer de pênis possa acometer diversos perfis, a incidência é notavelmente maior em homens acima dos 50 anos, muitas vezes residentes em áreas com menor acesso a saneamento básico ou infraestrutura de saúde, embora os grandes centros urbanos não estejam imunes.
Para reduzir os riscos o especialista faz 4 recomendações essenciais:
- Higiene genital adequada: A limpeza diária da região é a medida simples mais eficaz para evitar processos de inflamação crônica e o acúmulo de secreções que podem favorecer o surgimento de doenças.
- Vacinação e proteção sexual: A vacinação contra o HPV é uma estratégia preventiva crucial, já que o vírus está associado a cerca de metade dos casos. O uso de preservativos também é indispensável para evitar infecções sexualmente transmissíveis.
- Atenção à fimose e circuncisão: Condições como a fimose dificultam a higiene correta. A realização da circuncisão, quando indicada por um médico, atua como um fator de proteção importante.
- 4) Estilo de vida e cessação do tabagismo: A interrupção do tabagismo é recomendada para reduzir o risco de desenvolvimento da neoplasia, além de contribuir para a saúde urológica geral.