Com cobertura vacinal contra o sarampo abaixo da meta, Minas intensifica prevenção após casos em SP
Infectologista alerta que circulação do vírus no estado vizinho aumenta o risco de transmissão e reforça a importância da vacinação

Mesmo sem registro de sarampo em 2026, Minas mantém o alerta contra a doença altamente transmissível, que já deixou 16° pessoas doentes em São Paulo. Além da preocupação com o avanço da enfermidade no estado vizinho, a cobertura vacinal também merece atenção no território mineiro. O índice da primeira dose ficou em 96% em 2025 e 87% na segunda - abaixo dos 95% recomendados pelo Ministério da Saúde. Para infectologistas, o cenário aumenta o risco de reintrodução do vírus.
"É preocupante. É uma situação que deixa não só Minas, que é um estado vizinho a São Paulo, mas todo o país em alerta", afirma o infectologista Leandro Curi, membro da diretoria da Associação Mineira de Controle e Infecção Hospitalar de Minas (Ameci).
Segundo o especialista, o crescimento dos casos está diretamente relacionado à queda da cobertura vacinal registrada nos últimos anos. "A Organização Mundial da Saúde recomenda que 95% da população esteja imunizada para impedir a circulação do vírus. Quando esse percentual diminui, a população fica suscetível à volta do sarampo. Foi isso que permitiu que a doença reaparecesse no Brasil", explica.
Em Belo Horizonte, a cobertura vacinal é de 95,3% para a primeira dose e de 82,75% para a segunda. A Prefeitura informou que a vacina está disponível em todos os 154 centros de saúde e no Serviço de Atenção à Saúde do Viajante.
Já a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) informou que não houve mortes pela doença nos últimos cinco anos. A cobertura vacinal contra o Sarampo em 2026 não foi informada.
A pasta afirma que tem intensificado ações de prevenção, como capacitação de profissionais de saúde, vacinação em locais de grande circulação, campanhas de multivacinação e orientação para viajantes.
Doença pode evoluir para casos graves
O infectologista alerta que o sarampo está entre as doenças mais contagiosas conhecidas e pode provocar complicações importantes, principalmente em crianças, idosos e pessoas com baixa imunidade.
"O sarampo é uma das doenças com maior facilidade de transmissão. Uma pessoa infectada pode transmitir facilmente para outras que não estejam imunizadas. Por isso, quando aparece um caso, toda a rede de contatos precisa ser monitorada", explica.
Conforme o especialista, a doença pode causar complicações como pneumonia, inflamação no cérebro e até levar à morte. "O sarampo já matou muita gente no passado. Pode causar desfechos graves, especialmente nos grupos mais vulneráveis".
O que é sarampo e como prevenir
O sarampo é doença viral infecciosa aguda altamente contagiosa e potencialmente grave, podendo deixar sequelas ou levar à morte.
A transmissão ocorre principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias ao tossir, espirrar, falar ou respirar. O vírus causador da infecção pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas.
A vacinação é a principal medida de prevenção e controle da doença. As vacinas tríplice viral e tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) são oferecidas gratuitamente pelo SUS.
Os principais sintomas do sarampo são:
- Manchas vermelhas no corpo (primeiro no rosto e atrás das orelhas e depois se espalham) e febre alta (acima de 38,5°) acompanhada de outros sinais
- Tosse seca
- Irritação nos olhos (conjuntivite)
- Mal-estar intenso
*Com informações da Agência Brasil
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