
Está aberta até o dia 27 de abril uma consulta pública que avalia a incorporação de um novo tratamento semanal para pessoas com hemofilia B no Sistema Único de Saúde (SUS). O processo é conduzido pelo Ministério da Saúde, por meio da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), responsável por analisar a inclusão de medicamentos com base em evidências científicas, impacto clínico e custo-efetividade.
A proposta trata do uso do medicamento marstacimabe, administrado por meio de injeção subcutânea. Indicado para pacientes a partir de 12 anos que não desenvolveram anticorpos (inibidores) após o tratamento com fatores de coagulação, a nova terapia pode substituir a necessidade de infusões intravenosas frequentes, hoje comuns na rotina de quem convive com a doença.
Desafios do tratamento
A hemofilia B é uma condição genética rara que dificulta a coagulação do sangue devido à deficiência do fator IX. No Brasil, cerca de 14 mil pessoas vivem com hemofilia, o que coloca o país entre as maiores populações de pacientes no mundo. Atualmente, o tratamento convencional exige a reposição intravenosa do fator, o que demanda aplicações constantes.
Levantamento da Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia (Abraphem) aponta que o tempo médio de deslocamento até centros de tratamento é de 1h42. Além disso, a administração intravenosa apresenta dificuldades técnicas, especialmente em crianças. O marstacimabe atua de forma distinta: é um anticorpo monoclonal que inibe a proteína responsável por limitar a coagulação, contribuindo para reduzir episódios de sangramento.
Participação social
Apesar da relevância, o conhecimento sobre a doença é limitado. Pesquisa da Ipsos-Ipec mostra que apenas 52% da população reconhece a hemofilia como uma condição genética. O impacto na saúde é severo: cerca de 80% dos adultos convivem com complicações articulares e parte deles já necessitou de cirurgias ou próteses.
Durante a 149ª reunião ordinária da Conitec, realizada em março, o comitê recomendou o encaminhamento do tema à consulta pública com parecer inicial desfavorável à incorporação. Esta etapa permite que a sociedade civil envie contribuições antes da decisão final.
Segundo a diretora médica da Pfizer Brasil, Adriana Ribeiro, ampliar o acesso a terapias modernas é fundamental. “A possibilidade de um medicamento como esse alcançar um número maior de pessoas por meio do SUS representa um passo importante para ampliar o acesso a terapias inovadoras e pode contribuir para uma rotina com menos intervenções, reduzindo a preocupação constante com episódios de sangramento e suas possíveis complicações ao longo da vida”, afirmou.
Como participar: https://brasilparticipativo.presidencia.gov.br/processes/consultas-publicas-conitec/f/1856/
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