ALERTA À SAÚDE

Consumo abusivo de álcool por mulheres cresce nas capitais brasileiras

Estudo da UFMG com dados de mais de 800 mil adultos indica tendência de alta para os próximos anos

Ana Luísa Ribeiro
aribeiro@hojeemdia.com.br
Publicado em 12/03/2026 às 15:07.Atualizado em 12/03/2026 às 20:12.
Freepic (Freepik/Divulgação)
Freepic (Freepik/Divulgação)

O consumo abusivo de bebidas alcoólicas aumentou entre adultos que vivem nas capitais brasileiras e deve seguir tendência de alta nos próximos anos -e o público feminino responde por parcela significativa dessa alta. Pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas (UFMG) mostra que a proporção praticamente dobrou, passando de 7,8% em 2006 para 15,2% em 2023.

O crescimento entre as mulheres foi registrado em 23 capitais brasileiras, com maior prevalência observada em estados como Mato Grosso do Sul, Bahia e Sergipe. Em Belo Horizonte, a prevalência passou de 12,1% em 2006 para 18% no mesmo período. Entre os homens, o índice já era mais elevado no início da série e apresentou variação menor, passando de 27,1% para 27,7% no mesmo período. 

De acordo com o estudo “Tendências temporais no consumo abusivo de álcool e suas projeções para 2030 nas capitais brasileiras”, na soma das capitais o índice de consumo abusivo passou de 15,7% para 20,8% no recorte analisado.  A análise foi feita com base em informações do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) e reuniu dados de mais de 800 mil adultos com 18 anos ou mais, residentes de todas as capitais do país e do Distrito Federal.

O que é considerado consumo abusivo de álcool

Segundo a coordenadora da pesquisa, a professora Deborah Carvalho Malta, do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Saúde Pública da Escola de Enfermagem da UFMG, o consumo abusivo de álcool é caracterizado pela ingestão de cinco ou mais doses para homens e quatro ou mais para mulheres em um curto período de tempo.

Ela destaca que o álcool é uma substância tóxica, psicoativa e capaz de causar dependência, e que fatores culturais e sociais contribuem para que o consumo excessivo seja frequentemente naturalizado.

“Em muitas sociedades, as bebidas alcoólicas são parte frequente das interações sociais, e é fácil ignorar ou desconsiderar os danos sociais e à saúde causados ​​pelo seu consumo. Devemos reconhecer que o consumo de álcool está enraizado em práticas culturais, sociais e econômicas, o que exige abordagens de controle mais integradas e multidimensionais”, afirma a pesquisadora.

Tendência de alta

O estudo também identificou aumento do consumo abusivo em diferentes grupos da população. Entre pessoas com 12 anos ou mais de escolaridade, por exemplo, a prevalência subiu de 18,1% para 24% no período analisado.

A pesquisa ainda apontou crescimento entre pessoas de diferentes raças e cores de pele:

  • branca: de 14,7% para 21%
  • negra: de 18,8% para 23,2%
  • parda: de 16,1% para 20,3%

Por região, houve aumento da prevalência no Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste e Sul.

Meta global distante

Os resultados indicam que o Brasil pode não alcançar a meta internacional estabelecida pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), que prevê a redução de 10% no consumo de álcool entre 2015 e 2030.

Segundo as projeções do estudo, caso a tendência atual continue, o consumo abusivo poderá chegar a 22,2% da população adulta em 2030, acima do limite esperado para atingir a meta global.

Para Deborah Malta, políticas públicas mais amplas são necessárias para reverter o cenário. “É necessário fortalecer a restrição ao acesso a bebidas alcoólicas, aumentar a proibição de publicidade, promoção e patrocínio desses produtos, bem como intensificar o monitoramento das ações já implementadas”, afirma.

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