
O surto de ebola que matou mais de 100 pessoas na República Democrática do Congo (RDC) levou a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) a reforçar o monitoramento de eventos de saúde pública no estado. O alerta ocorre após a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar emergência em saúde pública de importância internacional por causa do avanço de casos ligados ao vírus Bundibugyo, um dos tipos do ebola.
Segundo a SES-MG, Minas não registra casos suspeitos ou confirmados da doença nos últimos dez anos, mas mantém "equipes em prontidão para identificar e responder a eventuais ocorrências".
O cenário começou a chamar atenção no início do mês, quando autoridades sanitárias do Congo relataram uma doença de alta mortalidade no município de Mongbwalu, na província de Ituri. Dias depois, exames laboratoriais confirmaram a presença do vírus Bundibugyo em amostras coletadas na região. Em Uganda, um caso importado também foi registrado na capital Kampala.
Sintomas
O ebola é uma doença grave causada por vírus da família Filoviridae. Os sintomas podem surgir entre dois e 21 dias após a infecção.
Os primeiros sinais costumam incluir febre, cansaço intenso, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Com a evolução da doença, podem aparecer vômitos, diarreia, dores abdominais, lesões na pele e, em alguns casos, sangramentos internos e externos.
Segundo a OMS, o ebola pode ser confundido com outras doenças infecciosas, como malária, dengue, febre tifoide e meningite. Por isso, a confirmação depende de exames laboratoriais específicos.
A taxa média de mortalidade da doença gira em torno de 50%, mas alguns surtos já registraram índices mais elevados.
O maior episódio da doença ocorreu entre 2014 e 2016, na África Ocidental. Na época, o vírus se espalhou entre países como Guiné, Serra Leoa e Libéria, provocando milhares de mortes.
Transmissão
O vírus é transmitido inicialmente de animais para humanos. Entre os possíveis hospedeiros estão morcegos frugívoros e alguns primatas.
A transmissão entre pessoas ocorre principalmente pelo contato direto com sangue, suor, saliva, vômito e outros fluidos corporais de indivíduos infectados, vivos ou mortos. Objetos contaminados, como roupas e lençóis, também podem espalhar o vírus.
Profissionais de saúde, cuidadores e familiares de pacientes estão entre os grupos de maior risco, principalmente em situações sem equipamentos adequados de proteção.
A OMS também orienta que as pessoas evitem contato com corpos de vítimas suspeitas da doença e reforcem cuidados básicos de higiene, como a lavagem frequente das mãos.
Tratamento e prevenção
Ainda não existe tratamento específico aprovado para todos os tipos de ebola. Para algumas variantes do vírus, há medicamentos à base de anticorpos monoclonais recomendados pela OMS. Já no caso do vírus Bundibugyo, responsável pelos surtos atuais, ainda não há terapia específica aprovada.
O tratamento é focado no suporte ao paciente, com hidratação, controle dos sintomas e assistência médica intensiva. Segundo especialistas, o atendimento precoce aumenta as chances de recuperação.
Duas vacinas foram aprovadas para algumas formas da doença: a Ervebo e a combinação Zabdeno e Mvabea. A aplicação costuma ocorrer em estratégias de contenção durante surtos.
Entre as medidas de prevenção estão evitar contato físico com pessoas infectadas, não manipular animais mortos sem proteção e procurar atendimento médico diante de sintomas compatíveis, principalmente após viagens para regiões afetadas.
A OMS informou que, até o momento, não recomenda restrições de viagens ou fechamento de fronteiras nos países afetados. Mesmo assim, pessoas que tiveram contato próximo com casos suspeitos devem evitar deslocamentos e seguir acompanhamento das autoridades de saúde.
Leia também: