Especialista descarta risco imediato para o Brasil após OMS emitir alerta para novo surto de Ebola
Infectologista explica formas de transmissão, sintomas e por que autoridades internacionais acompanham avanço da doença na África

O alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) após o avanço de um novo surto de Ebola na África colocou autoridades sanitárias internacionais em atenção. Apesar da preocupação global, especialistas afirmam que não há risco imediato para o Brasil nem indicação de uma nova pandemia neste momento.
Os casos foram identificados inicialmente na República Democrática do Congo e em Uganda. O surto envolve o subtipo Bundibugyo do vírus Ebola, que ainda não possui vacina ou tratamento específico aprovado, fator que eleva a necessidade de monitoramento internacional sobre a doença.
A infectologista Melissa Valentini, do Lab-to-Lab Pardini, explica que o Ebola é transmitido por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. Segundo ela, não se trata de uma infecção de transmissão aérea.
“O Ebola normalmente surge quando o vírus ultrapassa a barreira entre espécies e começa a circular entre pessoas. A transmissão ocorre por contato direto com sangue, secreções e fluidos corporais de pacientes infectados e não pelo ar”, afirma.
O vírus tem como reservatórios naturais os morcegos e circula principalmente em regiões da África Subsaariana. Em alguns casos, pode contaminar outros animais, como primatas, antes de chegar aos seres humanos.
Sintomas e letalidade
Os primeiros sintomas costumam se confundir com os de outras infecções virais. Febre, dor de cabeça, dores no corpo e mal-estar estão entre os sinais iniciais da doença. Em quadros mais graves, o paciente pode apresentar hemorragias e falência múltipla de órgãos.
“A taxa de mortalidade do Ebola pode ultrapassar 65%, dependendo da variante do vírus e da velocidade de resposta ao surto”, alerta a infectologista.
Profissionais de saúde costumam estar entre os grupos mais expostos nos primeiros momentos de um surto, principalmente antes da identificação da doença. Por isso, casos suspeitos precisam ser rapidamente isolados e tratados com o uso rigoroso de equipamentos de proteção individual (EPIs).
Estratégia de contenção
Melissa Valentini destaca que o alerta da OMS tem caráter preventivo e busca impedir que o vírus ultrapasse as regiões afetadas. “Neste momento, não existe risco pandêmico nem ameaça imediata para o Brasil. O objetivo das autoridades internacionais é conter rapidamente o avanço da doença, rastrear contatos e impedir a disseminação para outras regiões”.
Segundo a especialista, os países africanos já enfrentaram outros surtos de Ebola nas últimas décadas e hoje possuem maior experiência em estratégias de contenção epidemiológica, o que ajuda no controle da circulação do vírus.
O alerta internacional foi emitido após o aumento acelerado de casos suspeitos e da expansão da doença entre países vizinhos, cenário que levou os organismos internacionais de saúde a reforçarem as barreiras sanitárias e o monitoramento sobre a região.
Leia também: