Impacto financeiro

Excesso de peso pode custar 22 bilhões de dólares ao Brasil até 2030

Alerta para a necessidade da alimentação saudável volta a ganhar força nesta quarta-feira, com o Dia Mundial da Obesidade

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 04/03/2026 às 07:30.

O excesso de peso pode gerar custo de até US$ 22 bilhões ao sistema público de saúde do Brasil até 2030. A estimativa é do Observatório Brasileiro de Hábitos Alimentares (OBHA), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). O montante reflete o impacto financeiro acumulado das doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e alguns tipos de câncer. O alerta para a necessidade da alimentação saudável volta a ganhar força nesta quarta-feira (4), Dia Mundial da Obesidade.

O endocrinologista Rodrigo Magalhães, da Hapvida, ressalta que a obesidade não pode ser atribuída apenas a escolhas individuais. “Fatores socioeconômicos têm influência direta no avanço da doença. Pessoas de menor renda tendem a consumir mais alimentos ultraprocessados, geralmente mais calóricos e mais acessíveis do que opções frescas. Jornadas extensas de trabalho, turnos noturnos e privação de sono também impactam o metabolismo e dificultam o controle do peso”, observa.

68% da população é considerada obesa

No Brasil, onde 68% da população é considerada obesa ou está com sobrepeso, o cenário é preocupante.  A doença aumentou 72% nos últimos 13 anos no país e pode crescer 33,4% entre homens e 46,2% entre mulheres até 2030.

Os dados são do último Atlas Mundial da Obesidade, publicado pela World Obesity Federation no ano passado.  Para o endocrinologista é fundamental compreender que a obesidade é  muito mais do que excesso de peso. Trata-se de uma doença crônica, multifatorial e inflamatória, que altera o metabolismo do corpo e aumenta o risco de complicações graves.

 “O excesso de tecido adiposo não é apenas um depósito de gordura, mas um órgão metabolicamente ativo que libera substâncias inflamatórias, hormônios e sinais químicos que alteram o metabolismo. Esse estado de inflamação sistêmica compromete vários órgãos e sistemas, aumentando o risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, hipertensão, apneia do sono, problemas articulares e alterações na saúde mental”, explica Rodrigo Magalhães.

Doutora em Ciência de Alimentos e coordenadora do curso de Nutrição das Faculdades Kennedy, em Belo Horizonte, Natália Teixeira destaca que a obesidade é uma doença multifatorial,  o que significa que não é causada apenas por hábitos alimentares ou sedentarismo. Genética, hormônios, fatores ambientais, estilo de vida, estresse e determinantes sociais contribuem para o desenvolvimento e agravamento do quadro. Por isso, ela deve ser tratada como uma condição médica complexa, e não apenas como questão estética ou falta de disciplina.

“Durante muito tempo a obesidade era vista como problema estético. Depois, a ciência entendeu que é uma doença que aumenta o risco de outras doenças, como diabetes, hipertensão, problemas na articulação e de mobilidade. Vai se desenvolvendo ao longo do tempo e não depende de um agente externo, um patógeno”, explica.

“São questões internas, incluindo fatores psicológicos relacionados ao controle do apetite, mas também do ambiente, envolvendo oferta ou não de alimentos saudáveis nos grandes centros urbanos”, acrescenta a profissional, destacando que a alimentação não precisa ser rebuscada, mas com uma boa base nutricional, incluindo arroz, feijão, frutas, verduras, legumes, carne, leite e ovos em porções controladas.

A prática de atividade física diária, diz Natália, é outro fator inegociável para manter a saúde em dia. Ao menos 30 minutos, lembrando também do consumo de água. “Esse caminho é o melhor para controle da obesidade, ainda que com algum coadjuvante, como as canetas emagrecedoras”.

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