
O avanço das obras do Centro Nacional de Vacinas, no BH-TEC, apresentado nesta segunda-feira (16), em Belo Horizonte, abre caminho para a ampliação de pesquisas científicas e o fortalecimento de projetos já em desenvolvimento no país, como a SpiN-TEC, primeira vacina 100% nacional contra a Covid a chegar à fase de testes clínicos em humanos. O complexo é liderado pelo CTVacinas, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Ao longo da última década, o centro consolidou uma equipe científica dedicada ao desenvolvimento de doses e tecnologias biomédicas. Atualmente, cerca de 80 pesquisadores integram o grupo, entre professores, pós-doutores, estudantes e técnicos. O número no entanto deve mais que triplicar após a conclusão das obras - o que devem ocorrer até o fim deste ano.
Segundo o coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli, a expectativa é que o novo complexo permita uma expansão. “Hoje nós temos cientistas, técnicos de laboratório, estudantes e pessoal administrativo. A expectativa é que, no Centro Nacional de Vacinas, nós vamos ter 300 pessoas entre essas diferentes atividades”, afirmou.
Novas tecnologias
Além de ampliar a equipe científica, o novo centro também deve abrir espaço para o desenvolvimento de plataformas tecnológicas mais avançadas. Uma das frentes de interesse seria pesquisas com vacinas baseadas em RNA - responsável pela síntese das proteínas que formam todas as células.
De acordo com Gazzinelli, essa frente representa uma das áreas de expansão previstas para os próximos anos. “Uma das áreas que nós pretendemos expandir também é a área de tecnologia de RNA, tanto para vacinas quanto para terapia. Então essa é uma nova perspectiva que está crescendo”, disse.
A tecnologia ganhou destaque mundial durante a pandemia de Covid-19, com imunizantes desenvolvidos a partir dessa plataforma em tempo recorde.
Pesquisa nacional
Entre os projetos conduzidos pelo CTVacinas está a SpiN-TEC, iniciativa pioneira que se tornou a primeira vacina integralmente concebida no Brasil a alcançar a etapa de testes clínicos em humanos. O imunizante foi desenvolvido por pesquisadores da UFMG e simboliza um dos marcos da trajetória do centro de pesquisa ao longo de seus dez anos de atuação.
A expectativa dos pesquisadores é que a ampliação da infraestrutura científica no BH-TEC permita acelerar iniciativas semelhantes e fortalecer o papel do Brasil na inovação em saúde.
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