Alerta da OMS

Hantavírus: riscos, sintomas e como prevenir doença após suspeita de surto em cruzeiro

Infecção viral grave, que pode evoluir para síndromes respiratórias agudas, é transmitida por roedores silvestres e exige atenção redobrada à higiene

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 04/05/2026 às 11:14.Atualizado em 04/05/2026 às 11:46.
 (Envato Elements / Imagem ilustrativa)
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Três pessoas morreram e pelo menos outras três estão doentes em meio a um possível surto de hantavírus registrado em um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O hantavírus é uma cepa de vírus transmitida por roedores.

Os reservatórios naturais deste vírus são os roedores silvestres. Esses animais podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer, eliminando-o no ambiente através da urina, saliva e fezes.

A contaminação de humanos acontece principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas dos animais. As infecções geralmente ocorrem quando o vírus é transportado pelo ar a partir da urina, fezes ou saliva de um roedor. 

O último balanço do Ministério da Saúde, até março deste ano, mostra três casos de hantavírus no Brasil, sendo dois no Rio Grande do Sul e um em Minas. Em 2025, foram 35 casos no país (seis em Minas). 

O Hoje em Dia solicitou à Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) dados atualizados e aguarda retorno. 

Como ocorre a transmissão?

A forma mais comum de contágio humano não é o contato direto, mas sim a inalação. Quando as excretas - resíduos metabólicos tóxicos ou desnecessários eliminados pelo animal - dos roedores secam, elas podem se misturar à poeira. Ao varrer ou movimentar essa poeira, formam-se aerossóis que, se inalados, levam o vírus diretamente aos pulmões.

Outras formas de transmissão incluem mordidas ou contato do vírus com escoriações na pele, tocar os olhos, boca ou nariz com as mãos contaminadas e transmissão entre pessoas (rara). 

O tempo entre o contato e o surgimento dos primeiros sinais é longo, variando de uma a cinco semanas, podendo chegar a até 60 dias em casos excepcionais. 

Sintomas e as fases da doença

O hantavírus pode causar duas doenças graves. No Brasil e nas américas, se apresenta na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), segundo o Ministério da Saúde. Os sintomas mais comuns são fadiga, febre e dores musculares, seguidas de dores de cabeça, tonturas, calafrios e problemas abdominais. 

Conforme a pasta, nas Américas a hantavirose se manifesta sob diferentes formas, desde doença febril aguda inespecífica, até quadros pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).

A segunda doença mais comum no mundo causada pelo hantavírus é a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS, em inglês) - mais comum na Europa e na Ásia. Ela é mais grave e afeta principalmente os rins. Os sintomas posteriores podem incluir pressão arterial baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda. 

Como prevenir? 

A prevenção do hantavírus baseia-se na utilização de medidas que impeçam o contato do homem com os roedores silvestres e suas excretas (resíduos eliminados do organismo). Segundo o Ministério da Saúde, as medidas de controle devem conter ações que impeçam a aproximação dos roedores: 

  • Manter o terreno em volta de casas e armazéns sempre roçado e livre de entulhos.
  • Estocar alimentos em recipientes fechados e à prova de roedores.
  • Ao limpar locais que ficaram fechados por muito tempo (galpões, porões ou casas de campo), não varra a seco. O ideal é abrir as janelas para ventilar e umedecer o chão com água sanitária ou desinfetante antes de realizar a limpeza, evitando que a poeira suba.

Como é o tratamento? 

Não existe um tratamento específico para as infecções por hantavírus. Por tratar-se de uma doença aguda e de rápida evolução, a orientação é de que os casos sejam notificados em até 24h tanto para as Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, quanto para o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS).

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