Emergência internacional

Minas reforça monitoramento após alerta internacional sobre surto de ebola na África

Estado não registra casos da doença há dez anos, mas permanece em prontidão para identificação e resposta rápida

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 20/05/2026 às 10:19.Atualizado em 20/05/2026 às 12:03.
O ebola é classificado pela própria OMS como grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas (Reprodução/Pixabay)
O ebola é classificado pela própria OMS como grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas (Reprodução/Pixabay)

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforçou o monitoramento de eventos de saúde pública após a Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrar preocupação com "a escala e a velocidade" dos casos de ebola que afetam a República Democrática do Congo (RDC), onde a doença já deixou mais de 100 mortos. A OMS declarou emergência internacional devido ao avanço da doença.

Segundo a pasta, não houve registro de casos suspeitos, notificados e confirmados da doença em Minas Gerais nos últimos dez anos. O acompanhamento é feito pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-Minas).

O alerta internacional foi emitido pela OMS após a confirmação de casos de ebola causados pelo vírus Bundibugyo nos dois países africanos. Apesar da medida, a organização informou que o cenário não atende aos critérios de emergência pandêmica.

De acordo com a SES-MG, o estado mantém vigilância contínua e articulação com órgãos nacionais de saúde para identificação rápida de possíveis casos suspeitos. A secretaria também afirmou que permanece em estado de prontidão para investigação e resposta a eventuais ocorrências.

A orientação é para que pessoas com sintomas compatíveis procurem atendimento médico e informem histórico recente de viagens internacionais, principalmente para áreas onde há circulação da doença.

Casos de ebola na África 

O novo surto começou a chamar atenção no início do mês, quando autoridades sanitárias da República Democrática do Congo alertaram para uma doença de alta mortalidade no município de Mongbwalu, na província de Ituri. Entre os casos registrados havia mortes de profissionais de saúde.

Dias depois, exames realizados pelo Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica de Kinshasa identificaram o vírus Bundibugyo em oito de 13 amostras coletadas no distrito de Rwampara.

Na última sexta-feira (15), o governo congolês declarou oficialmente o 17º surto de ebola no país. No mesmo período, Uganda confirmou um caso importado da doença na capital Kampala. O paciente, um cidadão congolês, morreu após apresentar sintomas.

Segundo a OMS, o controle da doença depende de medidas como rastreamento de contatos, vigilância epidemiológica, atendimento clínico, isolamento de casos suspeitos e participação das comunidades nas ações de prevenção.

As autoridades de saúde internacionais também intensificaram o envio de equipes de resposta rápida, suprimentos médicos e reforço da estrutura de atendimento nas regiões afetadas.

Como ocorre o contágio da doença

O ebola é classificado pela própria OMS como grave, frequentemente fatal, que afeta humanos e outros primatas.

O vírus é transmitido aos humanos por animais selvagens, como morcegos frugívoros, porcos-espinhos e primatas não humanos, e passa de pessoa para pessoa por meio do contato direto com secreções, sangue, órgãos ou outros fluidos corporais de pacientes infectados.

O contágio também ocorre por meio do contato com superfícies e materiais, como roupas de cama e vestuário, contaminados com fluidos.

A taxa média de letalidade da doença é de cerca de 50%. Em surtos anteriores, segundo a OMS, as taxas de letalidade chegaram a 90%.

Quais os sintomas da doença

O período de incubação do ebola – intervalo de tempo entre a infecção pelo vírus e o início dos sintomas – varia de dois a 21 dias. Segundo a OMS, a pessoa infectada não transmite a doença até desenvolver sintomas.

As alterações físicas incluem febre, fadiga, mal-estar, dores musculares, dor de cabeça e dor de garganta. Em seguida, aparecem vômitos, diarreia, dor abdominal, erupções cutâneas e sintomas de comprometimento das funções renais e hepáticas. Em casos menos frequentes, podem ocorrer sangramentos internos e externos. 

A própria OMS avalia que pode ser difícil distinguir clinicamente o ebola de outras doenças infecciosas, como malária, febre tifoide e meningite. Por esse motivo, diversos testes diagnósticos foram desenvolvidos para confirmar a presença do vírus.

Tratamento e prevenção

O tratamento intensivo precoce, incluindo a reidratação com fluidos orais ou intravenosos, e o tratamento de sintomas específicos, segundo a OMS, melhoram a sobrevida do paciente.

Especificamente para a doença causada pelo vírus Ebola (DEV), a OMS recomenda o tratamento com os anticorpos monoclonais. Já para outras doenças causadas pelo ebola, como é o caso do vírus Bundibugyo, não existem terapias aprovadas.

Duas vacinas foram aprovadas para DEV: a Ervebo e a Zabdeno e Mvabea. A vacina Ervebo é recomendada pela entidade como parte da resposta a surtos identificados.

Para orientar a população, a OMS preparou uma lista com as principais perguntas e respostas sobre o ebola.

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