O pulmão agradece: corrida dia 14, em BH, reforça importância da atividade física contra o tabagismo
Evento organizado pela Sociedade Mineira de Pneumologia acontece na Lagoa Seca, no Belvedere, e reúne corredores experientes e iniciantes

A batalha contra o tabagismo envolve mais do que força de vontade: é um desafio físico, emocional e comportamental. Segundo o Ministério da Saúde, em 2024 o número de fumantes no Brasil cresceu 25% - o primeiro aumento desde 2007, um retrocesso. Para mostrar como a atividade física pode ser uma baita aliada para quem quer deixar o cigarro de vez, Belo Horizonte recebe no próximo dia 14 a corrida O2 Run. Organizado pela Sociedade Mineira de Pneumologia, o evento também tem o objetivo de conscientizar a população sobre os danos do fumo e incentivar hábitos saudáveis.
O pneumologista Daniel Bretas, presidente da Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica, explica que o exercício físico pode ter papel decisivo no abandono do cigarro.
“O tabagismo reduz a função pulmonar de maneira progressiva. Quando o paciente começa a se exercitar, mesmo que de forma leve, percebe pequenas melhoras no fôlego e na disposição. Isso cria motivação real. É o corpo respondendo de forma positiva ao processo de cessação”, afirma.
Ele explica que os gatilhos emocionais estão entre os principais responsáveis pelas recaídas. “Grande parte das recaídas tem relação com estresse, irritação ou compulsão. A atividade física funciona como um regulador natural do humor, modulando esses impulsos. O exercício não é só coadjuvante: ele protege o paciente numa fase extremamente crítica”, diz.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda ao menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica, como corrida, caminhada ou pedalada. Esses exercícios estimulam a liberação de endorfinas, substâncias que promovem sensação de bem-estar e ajudam a controlar a ansiedade, um dos principais gatilhos de recaída. Para o fumante em processo de cessação, essa combinação de benefícios fisiológicos e emocionais pode fazer diferença significativa na manutenção do esforço.
Bretas reforça que começar com segurança é fundamental. “O ex-fumante deve iniciar com intensidade compatível com sua capacidade. Às vezes, uma caminhada bem orientada tem mais impacto e segurança do que uma corrida forte. O importante é avançar de forma progressiva e sustentável.”
A importância dessa relação entre saúde pulmonar e movimento está por trás da criação da O2 Run. A corrida reúne iniciantes e corredores experientes em uma celebração do movimento e da vida sem cigarro.
“Uma corrida como a O2 Run tem impacto simbólico enorme. Ela mostra ao paciente que é possível retomar o controle da própria respiração”, afirma o médico.
No local do evento, haverá ações de conscientização sobre saúde pulmonar, apoio profissional e integração entre corredores ex-fumantes e público em geral. A inscrição sai por R$ 105 e dá direito a um kit. Todos os atletas receberão ao fim do evento uma medalha de participação.
Da dependência à linha de chegada
O administrador e maratonista Túlio Diniz fumou por quase 30 anos, desde os 14. A virada veio quando decidiu trocar o cigarro por uma rotina estruturada de treinos.
“Os primeiros meses sem fumar foram desafiadores, porque o cigarro virou um hábito enraizado no meu dia a dia. Substituir o cigarro por balas e, principalmente, pelo exercício, ajudou a controlar a ansiedade e diminuir gradativamente a vontade de fumar”, conta.
A corrida foi o principal catalisador. “Quanto mais eu melhorava nos treinos, mais percebia como o cigarro me limitava. A mudança veio em cadeia: alimentação mais saudável, sono melhor, mais fôlego, desempenho maior no trabalho e uma disciplina que eu não tinha antes. Os resultados foram aparecendo e isso me deu muita satisfação.”
Dois anos após abandonar o cigarro, Túlio admite que a vontade ainda surge ocasionalmente, mas hoje sabe como enfrentá-la. “A força está dentro de cada pessoa. É um dia de cada vez. Troque o cigarro por um novo hábito e siga. Se eu consegui, qualquer pessoa consegue.”
O impacto do exercício no abandono do cigarro
Estudos apontam que exercícios regulares podem reduzir em até 30% o impacto cardiovascular provocado pelo tabagismo, fortalecendo o organismo para enfrentar a abstinência. A Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) reforça que atividades como caminhada e corrida contribuem para liberar endorfinas e melhorar o bem-estar geral, fatores essenciais para manter o foco e reduzir recaídas.
Segundo Daniel Bretas, o maior benefício acontece com a constância. “Em 30 a 60 dias de atividade física frequente, observamos melhora clara da capacidade pulmonar, redução significativa da ansiedade e diminuição dos sintomas de abstinência. É um processo gradual, mas muito consistente”, explica.
A OMS lembra que o sedentarismo é o quarto maior fator de risco para mortes no mundo e está diretamente associado a doenças que também são agravadas pelo tabaco, como câncer, doenças cardíacas e distúrbios respiratórios. Incorporar o movimento ao cotidiano não só ajuda a abandonar o cigarro, mas também reconstrói a saúde após anos de exposição à nicotina. Além disso, no Brasil o tabaco é responsável por mais de 174 mil mortes anuais e gera custos superiores a R$153 bilhões ao sistema de saúde.
Serviço:
O2 Run – Corrida pela Saúde Respiratória
Organização: Sociedade Mineira de Pneumologia e Cirurgia Torácica
Data: 14 de dezembro
Local: Lagoa Seca – Belvedere
Percursos: 5 km, 10 km e caminhada
Público-alvo: iniciantes, corredores experientes e pessoas em processo de cessação do tabagismo
Inscrições e informações: https://www.tbhesportes.com.br/o2run/
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