Pesquisa da UFMG testa hipnose para aliviar dor lombar e busca voluntários para tratamento gratuito
Estudo conduzido por fisioterapeuta em mestrado aponta melhora imediata da dor e oferece acompanhamento sem custo em Belo Horizonte

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está investigando o uso da hipnose como alternativa para reduzir a dor lombar crônica. O estudo, conduzido pelo fisioterapeuta Robert Resende, já apresenta resultados preliminares considerados promissores e busca voluntários em Belo Horizonte para participar gratuitamente do tratamento e acompanhamento clínico.
O projeto é um ensaio clínico realizado no Departamento de Fisioterapia da universidade, dentro do programa de Ciências da Reabilitação. O objetivo é avaliar se a hipnose tem efeito imediato na redução da dor - algo ainda pouco explorado pela ciência. “Nosso foco é entender se, no momento em que a pessoa está com dor, a hipnose consegue aliviar esse sintoma imediatamente”, explica Resende.
Técnica atua no cérebro e pode ajudar no controle da dor
Segundo o pesquisador, a hipnose utilizada no estudo está longe da ideia popularizada em shows ou entretenimento. Trata-se de uma técnica clínica que atua em áreas do cérebro relacionadas à percepção da dor.
À frente da pesquisa está o fisioterapeuta Robert Resende, formado pela UFMG), com pós-graduação em hipnose clínica e atuação na área há 12 anos. O estudo é desenvolvido no programa de Ciências da Reabilitação da UFMG e conta com a orientação do professor Rafael Zambelli, Professor Adjunto do Departamento de Fisioterapia da UFMG, e coorientação do professor Rodrigo Rizzo, pós-doutor financiado pelo Medical Research Future Fund (MRFF), vinculado ao Neuroscience Research Australia (NeuRA) e à Universidade de New South Wales (UNSW).
No estudo, os participantes passam por uma avaliação inicial e, em seguida, são submetidos a uma intervenção por meio de áudios. Parte dos voluntários recebe sugestões hipnóticas voltadas para o alívio da dor, enquanto outro grupo recebe um áudio placebo, para fins de comparação científica.
Após a sessão, os pesquisadores medem imediatamente a intensidade da dor relatada pelo paciente, utilizando uma escala de 0 a 10.
Resultados preliminares animadores
De acordo com Resende, os dados já coletados indicam uma melhora significativa entre os participantes que passaram pela hipnose. “Estamos observando uma redução acima de dois pontos na escala de dor, o que é considerado clinicamente relevante. É um resultado comparável a intervenções farmacológicas”, afirma.
O estudo prevê a participação de 110 pessoas e já conta com cerca de 90 voluntários avaliados até o momento.
Tratamento pode complementar ou reduzir uso de medicamentos
A proposta da pesquisa é que a hipnose funcione como uma ferramenta complementar no tratamento da dor lombar, especialmente em casos mais intensos. “A ideia é que o paciente com dor mais alta possa usar a hipnose para aliviar o sintoma e, a partir disso, conseguir realizar outras intervenções, como atividade física”, explica o pesquisador.
Ele destaca ainda que a técnica não apresenta efeitos colaterais relevantes e pode ser uma alternativa ao uso excessivo de medicamentos.
Quem pode participar
Podem participar da pesquisa pessoas com dor lombar crônica, ou seja, com duração superior a três meses, mesmo que não haja um diagnóstico específico definido. A participação é aberta para homens e mulheres entre 18 e 65 anos, desde que residam em Belo Horizonte.
Os participantes precisam ter disponibilidade para comparecer ao local do atendimento, na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da UFMG. Casos de radiculopatia ou pacientes que passaram por cirurgia são excluídos do estudo.
Os voluntários passam por uma etapa inicial de avaliação e intervenção com hipnose. Depois, são acompanhados ao longo de cerca de nove a dez semanas, incluindo sessões de fisioterapia em grupo, realizadas duas vezes por semana. Todo o atendimento é gratuito e realizado por fisioterapeutas e estudantes vinculados à universidade.
Como participar
Interessados podem se inscrever por meio de um formulário de inscrição, disponível no perfil do projeto no Instagram, @colunasaudavelufmg. Após o cadastro, a equipe entra em contato para triagem e possível inclusão no estudo.
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