ACOLHIMENTO

Projeto ajuda pacientes com HIV a enfrentar diagnóstico e reduz sensação de isolamento na internação

Iniciativa do Hospital Eduardo de Menezes reúne pacientes e profissionais de saúde em encontros semanais com atividades e rodas de conversa

Do HOJE EM DIA
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Publicado em 22/06/2026 às 14:31.Atualizado em 22/06/2026 às 15:17.
Projeto "Fala aí, Dudu" promove encontros semanais para acolher pacientes internados com HIV no Hospital Eduardo de Menezes (Equipe do HEM/Divulgação )
Projeto "Fala aí, Dudu" promove encontros semanais para acolher pacientes internados com HIV no Hospital Eduardo de Menezes (Equipe do HEM/Divulgação )

Pacientes internados com HIV no Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte, estão encontrando apoio emocional e acolhimento por meio de um projeto que busca tornar a internação menos solitária e mais humanizada. Chamada de "Fala aí, Dudu", a iniciativa promove encontros semanais entre pessoas em diferentes fases do tratamento, criando um espaço para troca de experiências, escuta e fortalecimento emocional.

Desenvolvido na unidade da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), o projeto é voltado principalmente para pacientes internados em razão de complicações relacionadas ao HIV, seja após um diagnóstico recente ou em casos de interrupção do tratamento. A proposta é auxiliar na aceitação da doença, combater o preconceito e incentivar a continuidade do acompanhamento médico.

Segundo o coordenador de Governança Clínica do Hospital Eduardo de Menezes, Leonardo Mesquita, os encontros acontecem em momentos de grande fragilidade para os pacientes. "Muitos acabaram de ser diagnosticados. Aí juntamos essa pessoa com quem já foi diagnosticado há mais tempo e eles podem trocar experiências", explica.

O grupo atende pessoas entre 20 e 80 anos, muitas delas em situação de vulnerabilidade social, com redes de apoio fragilizadas e dificuldades relacionadas à saúde mental. Em média, cada encontro reúne cinco pacientes e três profissionais da equipe multiprofissional, entre médicos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Participantes também realizam oficinas 

Além das conversas, os participantes realizam oficinas de pintura, confecção de bijuterias, trabalhos artesanais com lã e palitos de picolé, colagens coletivas e outras dinâmicas em grupo. As atividades funcionam como ferramenta para estimular a convivência e facilitar o diálogo sobre os desafios enfrentados durante o tratamento.

Rafael, nome fictício de um paciente de 28 anos que ficou internado por 20 dias após interromper o tratamento, afirma que encontrou no projeto um ambiente acolhedor. "Fui muito bem recebido, tivemos boa interação, senti que estava num espaço seguro", relatou.

Camila - também nome fictício -, de 27 anos, participou dos encontros durante uma internação motivada pelo abandono do tratamento. Para ela, o grupo representa uma oportunidade de expressão e acolhimento. "Ali, temos o direito de falar o que estamos sentindo", contou.

Projeto pode contribuir para reduzir casos de abandono

A expectativa da equipe é que o projeto contribua para reduzir os casos de abandono do tratamento e fortalecer a adesão dos pacientes ao acompanhamento médico. "Mais do que um grupo de convivência, o ‘Fala aí, Dudu’ busca mostrar aos pacientes que, mesmo em meio à fragilidade da internação, ninguém precisa enfrentar a doença sozinho", destaca Leonardo Mesquita.

Referência em infectologia e dermatologia sanitária, o Hospital Eduardo de Menezes interna cerca de 700 pacientes com HIV por ano. A unidade também atua no atendimento ambulatorial, em pesquisas e na formação de profissionais de saúde.

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