‘Rosto de Ozempic’: uso de canetas emagrecedoras aumenta busca por tratamentos dermatológicos
Efeito não é uma reação química do medicamento em si, mas consequência direta do emagrecimento acelerado

A popularização do uso de canetinhas emagrecedoras gerou um “efeito colateral” curioso: a procura maior por consultórios dermatológicos. O uso da medicação, indicada para pacientes com diabetes, mas indiscriminadamente utilizada para redução de peso em curto prazo, costuma provocar flacidez facial. A perda de volume nas bochechas e mandíbula já foi apelidado de “rosto de Ozempic”.
Maria Carolina Rodrigues Barbosa, coordenadora do departamento de Dermatologia do Hospital Orizonti, na capital mineira, diz que o efeito não é uma reação química do medicamento em si (além do Ozempic, há o Mounjaro), mas consequência direta do emagrecimento acelerado. Ela explica que quanto mais rápido for o emagrecimento, mais isso será evidente. “A gordura da face serve para sustentação. Se você a perde de forma brusca, o rosto desaba”, reforça a médica.
Já a dermatologista da Rede Mater Dei, Raquel Queiroz, esclarece que a mudança fisiológica ocorre porque a pele possui uma elasticidade limitada e precisa de tempo para se retrair e se moldar ao novo contorno do rosto. “Com o passar dos anos, já temos uma queda natural de colágeno. Quando a perda de gordura acontece muito rápido, a pele não consegue retrair na mesma velocidade, o que gera a impressão de um rosto consumido”.
Para as especialistas, o perfil mais comum atingido pelo fenômeno são pacientes acima dos 35 anos, idade em que a produção de colágeno (proteína estrutural essencial para a firmeza da pele) começa a declinar naturalmente. No entanto, as dermatologistas concordaram que já existe um aumento na procura por jovens que desejam se antecipar ao problema.
Segundo a Novo Nordisk, empresa responsável pela fabricação do Ozempic, a flacidez na pele, seja no rosto ou em outras partes do corpo, é uma “consequência natural de qualquer processo de perda de peso significativa e rápida, seja por dieta, cirurgia bariátrica ou uso de medicamentos”. A empresa afirma ainda que a condição ocorre devido à perda do volume de gordura subcutânea.
“Dados clínicos (mais de 60 estudos clínicos randomizados e de vida real, com cerca de 50 mil pacientes avaliados) não identificaram alterações dermatológicas como um efeito adverso direto da semaglutida”, escreveu a empresa em nota.
Como prevenir?
Para evitar o aspecto envelhecido, a recomendação é que o tratamento dermatológico comece simultaneamente ao uso da medicação para emagrecer, e não apenas após a perda de peso total. O planejamento envolve o uso de tecnologias e substâncias que estimulam o organismo.
“Já que tenho a previsão de que esse paciente terá uma flacidez, nós começamos a estimular o colágeno antes mesmo do emagrecimento. A gente aplica produtos que vão acordar células chamadas fibroblastos, responsáveis por fabricar o colágeno na nossa pele” explica Maria Carolina.
Além dos estímulos injetáveis, tecnologias de retração e preenchimento com ácido hialurônico são ferramentas usadas para repor o volume perdido. Raquel Queiroz afirma que a combinação dessas técnicas é o que garante um aspecto “natural” ao rosto.
“O bioestimulador foca na firmeza gradual, enquanto o preenchimento repõe o volume perdido de forma imediata. As tecnologias promovem a retração da pele. (...) Hoje vemos pacientes cada vez mais jovens buscando a prevenção para não precisarem de correções drásticas no futuro”, detalha a médica do Mater Dei.
Leia também: