Trabalhadores da saúde de BH prometem manifestação contra corte de verba e demissões
Categoria organiza protesto na porta da Câmara Municipal; PBH diz que contratos eram "temporários"

Trabalhadores da saúde de Belo Horizonte estão mobilizando uma paralisação, com ato em frente à Câmara Municipal, na próxima quarta-feira (22). A manifestação é convocada pelo Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos (Sindibel) e está prevista para 13h, antes de uma audiência pública para debater cortes no Sistema Único de Saúde (SUS-BH).
“Os cortes vão gerar sobrecarga de trabalho, maior demora no atendimento e consequente diminuição da qualidade da assistência, colocando os trabalhadores da saúde e a população de Belo Horizonte em risco”, informou o Sindibel.
Além da redução de verbas, a categoria protesta contra demissões de profissionais da enfermagem do transporte sanitário e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), anunciado pela Prefeitura (PBH) nesta quinta-feira (16). Pelo menos 34 trabalhadores teriam sido dispensados.
Conforme o sindicato, a medida prejudica ainda mais as equipes, que já estão desfalcadas.
“Representa risco direto à vida da população de BH”, dizem Sinmed-MG e CRM-MG sobre desligamentos
Os desligamentos dos técnicos de enfermagem são vistos com preocupação também pelo Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG) e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado de Minas Gerais (CRM-MG).
Em nota conjunta, as organizações afirmam que as reduções das equipes representam “um risco direto à vida da população de BH”, principalmente diante do atual cenário de emergência em saúde pública decretado pela PBH em razão do aumento expressivo de casos de doenças respiratórias.
“Em apenas quatro meses, a capital já registrou cerca de 107 mil atendimentos por síndromes respiratórias, evidenciando a pressão crescente sobre toda a rede assistencial”, diz o comunicado. “O enfraquecimento do atendimento pré-hospitalar tende a provocar um
efeito cascata, agravando a sobrecarga já crítica nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e nos hospitais da capital.”
O Sinmed-MG e o CRM-MG informam ainda que "estão tomando as medidas cabíveis para resolução da demanda da categoria". As duas organizações também estarão presentes na audiência pública na CMBH nesta quarta-feira.
O que diz a Prefeitura?
Em nota, a PBH informou que os 34 profissionais que serão desligados foram incorporados às equipes do Samu durante a pandemia da Covid-19, por meio de contratos temporários em caráter emergencial que vencem em 1º de maio e não serão renovados.
A Prefeitura diz que as escalas dos profissionais serão reorganizadas, com o objetivo de manter a assistência à população. A administração municipal afirma ainda que não haverá redução na quantidade de ambulâncias.
*Estagiária, sob supervisão de Renato Fonseca
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