No BHTEC

UFMG e Embrapii oficializam centro de vacinas e terapias com RNA com investimento de R$ 60 milhões

Estrutura funcionará no BH-TEC e terá recursos para os próximos quatro anos

Bernardo Haddad
@_bezao
Publicado em 31/08/2026 às 12:32.Atualizado em 31/08/2026 às 12:34.
Pesquisadores ligados à UFMG trabalham no desenvolvimento de uma vacina de RNA contra a malária adaptada às características da doença encontrada no Brasil (Bernardo Haddad)
Pesquisadores ligados à UFMG trabalham no desenvolvimento de uma vacina de RNA contra a malária adaptada às características da doença encontrada no Brasil (Bernardo Haddad)

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) oficializaram nesta segunda-feira (31) a implementação do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA). A estrutura terá investimento de R$ 60 milhões do Ministério da Saúde nos próximos quatro anos e funcionará inicialmente no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).

Coordenado pelo CTVacinas, o centro terá como uma de suas principais frentes o desenvolvimento de vacinas e terapias baseadas em RNA. A iniciativa também pretende aproximar pesquisadores da universidade, empresas e indústria farmacêutica para transformar pesquisas em produtos para a área da saúde.

A tecnologia ganhou projeção mundial durante a pandemia de Covid-19, com o desenvolvimento das vacinas de RNA mensageiro. Contudo, segundo a coordenadora do CTV-RNA, professora Santuza Teixeira, as aplicações vão além dos imunizantes contra doenças infecciosas.

“É uma tecnologia absolutamente inovadora que já vem sendo dominada em vários países e que o Brasil precisa se colocar também dentro desse contexto de inovação na área de vacinas e terapias”, afirmou.

Um dos objetivos do centro é justamente levar as pesquisas desenvolvidas dentro da universidade para o setor produtivo. A proposta inclui a formação de equipes, desenvolvimento de projetos conjuntos e a criação de uma associação de empresas.

“A nossa principal missão é levar essa tecnologia para fora do laboratório e da UFMG. Queremos trazer o setor produtivo para dentro do ecossistema, mostrar como essa tecnologia funciona, como se desenvolve um produto e de que maneira as empresas brasileiras podem entrar nesse campo”, disse Santuza.

Além das vacinas, a plataforma de RNA será utilizada em pesquisas relacionadas a tratamentos contra o câncer e outras doenças.

A equipe inicial do CTV-RNA será formada por pesquisadores e estudantes de doutorado e deverá chegar a entre dez e 15 profissionais. A estrutura será ampliada posteriormente no Centro Nacional de Vacinas, que reservará todo o quarto andar para as atividades relacionadas ao RNA.

Para o reitor da UFMG, Alessandro Fernandes Moreira, a implementação do centro é resultado de um trabalho desenvolvido pela universidade ao longo de anos na área de vacinas.

“Para a gente chegar aqui isso não começou há um mês atrás. Isso é um trabalho de 10, 20 anos que consolida a UFMG na produção de vacinas”, afirmou.

A presença do CTV-RNA no BH-TEC também é apontada como uma forma de ampliar a ligação entre pesquisa e mercado. Segundo o presidente do parque tecnológico, Marco Crocco, a estrutura reforça o papel do espaço como uma ponte entre universidade e setor produtivo.

“Ter essa unidade aqui é fundamental porque não só fortalece esse ambiente, essa ponte que é o parque, como também ajuda a universidade a fazer sua função social”, afirmou.

Leia também: 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por