UFMG trabalha em vacina de RNA contra malária e prevê testes de eficácia em até três anos
Imunizante será um dos primeiros projetos desenvolvidos Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), lançado nesta segunda-feira (31)

Uma vacina de RNA contra a malária desenvolvida por pesquisadores ligados à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) poderá começar a ser testada para avaliar sua eficácia em dois a três anos. A previsão é da professora Santuza Teixeira, coordenadora do Centro de Competência Embrapii em Terapias e Vacinas com RNA (CTV-RNA), oficializado nesta segunda-feira (31), no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC).
O projeto está entre as pesquisas que integram o portfólio do centro e busca desenvolver uma vacina voltada para as características da malária encontrada no Brasil. A doença continua sendo um problema de saúde principalmente na região amazônica.
“Uma delas seria uma vacina de malária. Hoje, no Brasil, não existe uma vacina capaz de controlar a malária, que ainda é um problema de saúde importante na Amazônia principalmente”, afirmou Santuza.
A previsão de dois a três anos citada pela pesquisadora se refere ao início dos testes de eficácia. Ainda não há uma estimativa para que a vacina esteja disponível para a população.
O desenvolvimento de um imunizante específico para o Brasil é necessário, segundo Santuza, pelas diferenças entre os tipos de malária encontrados em diferentes regiões.
“Existe uma vacina de malária que foi desenvolvida na Inglaterra e ela já está sendo distribuída na África, só que a malária que a gente encontra na África é diferente da malária causada pelo outro tipo de patógeno no Brasil”, explicou.
A pesquisa brasileira pretende levar em conta essas características para desenvolver uma solução voltada à doença encontrada no país.
“O desenvolvimento da vacina de malária que vai resolver a malária no Brasil precisa ser feito pelas instituições brasileiras. É o que a gente está trabalhando”, disse.
O RNA pode funcionar como uma espécie de instrução para que as células produzam determinadas proteínas ou desencadeiem respostas capazes de combater doenças.A tecnologia ganhou notoriedade mundial durante a pandemia de Covid-19, com as vacinas de RNA mensageiro desenvolvidas por empresas como Pfizer e Moderna.
Tecnologia também pode ser usada contra o câncer
O RNA também será estudado no desenvolvimento de vacinas terapêuticas contra o câncer. A proposta é utilizar a tecnologia para estimular o sistema imunológico a reconhecer células tumorais e combatê-las.
Santuza cita os estudos com vacinas de RNA contra o melanoma como um dos avanços mais recentes nessa área.
“Para cada tipo de câncer vai precisar de uma vacina específica. No caso do melanoma, nós já estamos muito perto de ter essa vacina. Nós vamos desenvolver também estudos que vão poder então chegar a uma vacina para vários tipos de câncer”, afirmou.
Segundo a pesquisadora, a estimativa é que vacinas destinadas a diferentes tipos de câncer possam avançar ao longo dos próximos cinco a dez anos.
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