Vacinados contra dengue nos últimos 21 dias devem ficar atentos a 8 sintomas; saiba quais
Ministério da Saúde suspendeu temporariamente a vacinação após registros raros de eventos graves

Pessoas que receberam a vacina contra a dengue nos últimos 21 dias devem ficar atentas a oito sinais de alerta nas três semanas seguintes à imunização, como por exemplo: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e febre.
A orientação foi reforçada pelo Ministério da Saúde após a suspensão temporária da estratégia de vacinação com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan, anunciada nesta segunda-feira (8), em razão da investigação de eventos adversos raros registrados em diferentes regiões do país.
De acordo com o ministério, quem já foi vacinado continua protegido contra a doença e não deve entrar em pânico. A recomendação é apenas que os imunizados recentemente observem eventuais sintomas e procurem atendimento médico caso apresentem agravamento do quadro clínico.
"A decisão não invalida a eficácia da vacina. Isso é um ponto importante, as pessoas que foram vacinadas usufruem do benefício que a vacina oferece que é a proteção contra a dengue", afirmou o diretor do Departamento Nacional de Imunizações, Eder Gatti Fernandes.
Segundo dados apresentados durante a coletiva, mais de 501 mil doses foram aplicadas entre janeiro e 30 de maio deste ano. Nos estudos clínicos, a vacina apresentou eficácia total de 65% e proteção de 80,5% contra dengue grave, casos com sinais de alerta ou hospitalizações.
Quais sintomas merecem atenção?
O Ministério da Saúde orienta que pessoas vacinadas há até 21 dias observem especialmente a ocorrência de:
- Febre;
- Dor abdominal intensa e contínua;
- Vômitos persistentes;
- Tontura;
- Sangramentos;
- Sonolência intensa;
- Irritabilidade;
- Sinais de desidratação;
- Piora do estado geral.
Caso os sintomas se intensifiquem, a recomendação é procurar imediatamente uma unidade de saúde.
O que motivou a suspensão?
Entre janeiro e maio, foram registradas 3.703 notificações de sintomas semelhantes aos da dengue entre vacinados, o equivalente a 0,7% do total de pessoas imunizadas. Desses casos, 42 apresentaram sinais de alerta, como dor abdominal, vômitos persistentes e sangramentos. O número representa 0,008% do total de vacinados.
Também foram identificados três casos graves em investigação. Dois pacientes morreram e um recebeu alta hospitalar. O Ministério da Saúde destacou, porém, que ainda não é possível concluir que os eventos tenham sido causados pela vacina.
Segundo a pasta, a análise envolve o histórico clínico dos pacientes, doenças preexistentes, fatores individuais de risco, possíveis causas alternativas, desvios de qualidade e até eventuais erros de imunização.
Investigação segue em andamento
A partir desta terça-feira (9), será feito um monitoramento ativo para casos na rede hospitalar, dengue em pessoas que se vacinaram recentemente, casos com sinais de alarme e óbitos em Nova Lima (MG), Botucatu (SP), Maranguape (CE) e região de Araguaína (TO), onde a estratégia vinha sendo aplicada.
O Ministério da Saúde informou que a medida é preventiva e não representa perda de confiança na vacina. A investigação conta com participação da Anvisa, especialistas, serviços de saúde, vigilâncias locais e do Instituto Butantan. Enquanto a apuração prossegue, equipes de saúde em todo o país foram orientadas a reconhecer sinais de gravidade, notificar casos suspeitos e encaminhar pacientes para atendimento clínico imediato quando necessário.
Leia mais: