TURISMO

Rio Rufino se destaca como Capital Catarinense do Vime

Somente Rio Rufino concentra cerca de 200 produtores e uma área cultivada de aproximadamente 250 hectares

Cláudio Lacerda Oliva*
turismologoali@hojeemdia.com.br
Publicado em 30/09/2026 às 15:43.Atualizado em 30/09/2026 às 20:58.
O impacto econômico do vime na região é maior do que os empregos registrados nas empresas formalizadas (Onéris Lopes / Divulgação)
O impacto econômico do vime na região é maior do que os empregos registrados nas empresas formalizadas (Onéris Lopes / Divulgação)

Reconhecida por lei, desde 29 de novembro de 2004, como Capital Catarinense do Vime, Rio Rufino ocupa uma posição singular na cadeia produtiva da cultura. Responde por mais de um terço da produção nacional que envolve desde o cultivo até a confecção de artesanatos e a transformação industrial em cestas, móveis, objetos decorativos.

A Serra Catarinense concentra cerca de 90% da produção nacional de vime e Rio Rufino tem nessa cultura, uma importante cadeia produtiva que envolve desde a produção in-natura até o consumidor final.

Levantamento da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) aponta que a produção de vime na Serra Catarnense está concentrada nos municípios de Bocaina do Sul, Rio Rufino, Bom Retiro, Urubici, Urupema, Painel e Lages. Juntos, envolvem mais de 1.200 produtores rurais, em uma área de pelo menos 1.215 hectares, com produção anual estimada em 15.790 toneladas de vime.

Somente Rio Rufino concentra cerca de 200 produtores e uma área cultivada de aproximadamente 250 hectares, com produtividade média de 15 toneladas por hectare e produção na faixa de 3.750 toneladas de vime por ano.

A cada ano essa microrregião produz ainda, cerca de 6 mil toneladas de varas secas prontas para o artesanato. E uma combinação de fatores naturais contribuiu para colocar Rio Rufino em posição de destaque na produção e no processamento do vime. Entre eles estão as condições favoráveis de altitude, temperaturas mais baixas, abundância de água e umidade, além das características do solo, consideradas adequadas às exigências da espécie.

Em Rio Rufino, já foram catalogados vimeiros com mais de dez metros de altura, dimensão muito superior ao crescimento convencional pesquisado em outras regiões. Outro fator fundamental para a consolidação da atividade é o conhecimento acumulado pelas famílias e repassado de geração em geração.

O cultivo e o beneficiamento do vime são transmitidos de pais para filhos, criando um verdadeiro capital de conhecimento que não é facilmente reproduzido em outras regiões.

Artesanatos em vime

O potencial de transformação do vime é amplo e diversificado. Para a artesã Maria Bernadete Blomer Dorroite, o vime representa sua maior riqueza. “A fita que eu e meu marido José, extraímos da casca do vime é a peça mágica que transforma o artesanato. Aqui trabalhamos com carinho e não percebemos os dias passar. No final, temos um produto belo e encantador”, afirma a artesã.

Entre os produtos confeccionados com vime estão cestas, cestos, balaios, guirlandas, abajures, caixas, bandejas, vasos, cachepôs, peças ornamentais, estruturas decorativas e móveis diversos, como cadeiras, poltronas, mesas, bancos, estantes e sofás.

A variedade de artefatos demonstra que o vime deixou de ser apenas matéria-prima para cestas e passou a ocupar espaço também nos segmentos de decoração, mobiliário, gastronomia, hotelaria e presentes. Até flores já são produzidas com galhos de vime.

“As flores que produzimos são vendidas em feiras e eventos, por todo Brasil. Temos pedido até para o Canadá e estamos vendo a parte legal para o envio”, disse a artesã, Flávia Mattos. Há poucos dias, ela recebeu convite para participar de uma feira na Colômbia.

Rota do Vime de Rio Rufino

Com áreas distintas de cultivo, beneficiamento, produção artesanal, comercialização, gastronomia e hospedagem, Rio Rufino poderá ter, em breve, uma Rota Turística do Vime. A estratégia de médio e longo prazo terá à frente, o Conselho de Turismo (Contur) e o Núcleo de Desenvolvimento e Turismo de Rio Rufino.

Para a empresária Sandra Marli Oderdenge Arruda, que faz receptivo turístico na fazenda Tamanduá, o vime é um importante produto para o fomento do setor. “O turismo e o vime se complementam. O artesanato ajuda a agregar valor ao turismo, tendo o vime como nossa identidade. Isso resume sua importância na cadeia econômica do turismo”, comenta Sandra Oderdenge.

Além dos equipamentos turísticos, uma possível rota envolverá as unidades diretamente ligadas à cadeia produtiva, como escolas, comércio, restantantes, e especialmente o setor público como animador do projeto.

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