
PEQUIM – A ofensiva global das montadoras chinesas têm colocado pressão sobre mercados tradicionais, mas enfrenta resistência crescente, sobretudo nos Estados Unidos. Para o chairman da GWM, Jack Wey, esse bloqueio não é apenas estratégico, mas essencial para a sobrevivência da indústria norte-americana.
Durante coletiva no Salão do Automóvel de Pequim, o executivo afirmou que, sem as barreiras comerciais, as três principais montadoras dos EUA não conseguiriam competir com as fabricantes chinesas. “Sem as barreiras, as três principais montadoras norte-americanas não suportariam a competição das fabricantes chinesas”, disparou.
A declaração ocorre em meio ao avanço acelerado da indústria automotiva da China, que já conta com mais de 100 marcas e capacidade produtiva estimada em 55 milhões de veículos por ano, volume superior à demanda doméstica, o que impulsiona a busca por mercados externos. Nesse cenário, tarifas e exigências regulatórias passaram a ser instrumentos centrais de defesa.
Nos Estados Unidos, a taxação sobre veículos chineses se intensificou e chegou a patamares que praticamente inviabilizam a operação comercial. Em alguns casos, os impostos atingem níveis elevados, enquanto barreiras burocráticas, como processos de homologação que levam anos, funcionam como entraves adicionais à entrada dessas marcas.
A América do Norte, de forma geral, tem adotado postura mais rígida. Canadá e Estados Unidos concentram medidas mais duras, combinando tributação elevada e resistência política. O México apresenta ambiente mais flexível, enquanto a Europa aplica tarifas intermediárias, embora também tenha ampliado restrições diante do crescimento das fabricantes chinesas.
Com dificuldade para acessar mercados mais protegidos, as montadoras chinesas direcionam sua expansão para regiões emergentes. O Brasil aparece como peça relevante nessa estratégia. Além do tamanho do mercado, o país oferece condições para produção local, com incentivos fiscais atrelados à instalação de fábricas e ao desenvolvimento da cadeia de fornecedores.
A própria GWM já iniciou operações industriais no interior de São Paulo e avalia a construção de uma segunda unidade no Espírito Santo. O movimento segue uma tendência mais ampla entre fabricantes chinesas, que têm investido em produção local como forma de contornar tarifas de importação e ganhar competitividade regional.
O avanço dessas empresas está diretamente ligado à escala industrial chinesa, que permite reduzir custos e oferecer veículos com preços mais competitivos. Esse fator tem provocado reações em diferentes mercados e levado governos a reforçar políticas de proteção para preservar suas indústrias nacionais.