
A Bugatti se reinventou várias vezes. Exemplo de performance e exclusividade, a marca francesa hibernou por anos, trocou de mãos e encontrou seu lugar no topo da pirâmide da indústria há pouco mais de duas décadas.
Sob a batuta da Volkswagen, a Bugatti teve verba e criatividade ilimitada para criar carros superlativos, equipados com um impressionante motor com bancadas de cilindros dispostos em W, com 16 pistões e quatro turbinas.
Um absurdo da engenharia que quebrou barreiras de potência, aceleração, velocidade, consumo, preço e tudo mais que pode ser calculado. Mas tudo tem um início e também um fim, até mesmo essa maravilha da engenharia.
E o Bugatti W16 Mistral Caroline marca o encerramento de uma era na indústria automotiva. Trata-se do último modelo de produção da Bugatti equipado com o tradicional motor W16 quadriturbo, consolidando uma linhagem iniciada ainda com o Bugatti Veyron e levada ao extremo com a família Bugatti Chiron.
A designação “Caroline” faz referência direta à Caroline Bugatti, filha de Ettore Bugatti e uma figura recorrente na história da marca como inspiração para projetos e criações exclusivas. Apresentado como um roadster de produção limitada (como qualquer Bugatti), o Mistral nasce com a proposta de ser o modelo conversível mais extremo já desenvolvido pela marca.
A base técnica deriva diretamente do Chiron, mas com profundas alterações estruturais para eliminar o teto sem comprometer rigidez, segurança e desempenho. O resultado é um carro que combina engenharia avançada com foco em aerodinâmica e gerenciamento térmico, fundamentais para altas velocidades em um veículo aberto.
No centro do projeto está o motor 8.0 W16 quadriturbo, na configuração mais potente já aplicada em um carro de rua da marca, com 1.600 cv e 1.600 Nm de torque. Geralmente grafamos a medida de força em quilograma força metro, mas o número ficaria em 163,1 kgfm, destoando com a cabalística descrição da marca em que tudo gira em torno do número dezesseis.
O conjunto trabalha com tração integral e câmbio automatizado de dupla embreagem de sete marchas. Com esses números, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 2,3 segundos e supera a marca de 400 km/h, desempenho que exige soluções específicas de fluxo de ar e estabilidade estrutural.
O desenvolvimento aerodinâmico é um dos pontos centrais do carro. Sem teto fixo, a carroceria foi redesenhada para canalizar o ar de forma eficiente tanto para o resfriamento do motor quanto para a estabilidade em alta velocidade. Entradas de ar posicionadas atrás dos encostos de cabeça substituem soluções tradicionais e ajudam a alimentar o conjunto mecânico, além de contribuir para o equilíbrio do fluxo aerodinâmico.
O interior mantém a abordagem artesanal característica da Bugatti, com materiais nobres e soluções exclusivas. Elementos como alumínio usinado, couro trabalhado manualmente e detalhes inspirados na história da marca reforçam o caráter de objeto de coleção. O acabamento inclui referências ao clássico Bugatti Type 41 Royale, como a escultura do “elefante dançante”, incorporada ao seletor de marchas.
Com produção já esgotada antes mesmo do início das entregas, o roadster se posiciona como item de coleção e símbolo de engenharia. Mais do que um novo modelo, o Bugatti W16 Mistral Caroline é o ponto final dos grandes motores a combustão. Muitos fabricantes já aposentaram seus V12 e V10. A Bugatti foi até onde pode, mas a eletrificação é inevitável até mesmo para ela.