Chevrolet lançará Onix e Onix Plus apenas a etanol
Documento enviado a concessionárias revela que GM lançará Onix e Onix Plus movido apenas a álcool, com preços mais baratos que versão 1.0 de entrada

O carro a álcool pode voltar ao mercado brasileiro como alternativa estratégica para estimular o uso de combustíveis renováveis e reduzir emissões. E se depender da General Motors, ele já voltou. A marca prepara o lançamento do Chevrolet Onix Eco, versão abastecida exclusivamente com etanol, em um movimento que resgata uma tecnologia que marcou a indústria automotiva nacional entre os anos 1980 e 1990, mas perdeu espaço com a chegada dos motores flex no início dos anos 2000.
A aposta da fabricante acontece em meio aos incentivos do Programa Mover, política do Governo Federal voltada à eficiência energética e redução de emissões. O projeto prevê benefícios fiscais para veículos considerados menos agressivos ao meio ambiente, incluindo descontos por meio do chamado IPI Verde.
Segundo documento enviado à rede de concessionários, e obtido pelo portal Webmotors,, o Onix Eco deve ser oferecido por R$ 103.990, enquanto o sedã Onix Plus Eco teria preço sugerido de R$ 106.990. A estratégia coloca os modelos próximos das versões de entrada equipadas com motor aspirado e câmbio manual, criando um cenário competitivo para consumidores que rodam muito e priorizam menor custo operacional.
O carro a álcool surgiu no Brasil em larga escala no fim da década de 1970, impulsionado pelo Programa Nacional do Álcool (Proálcool), criado durante a crise internacional do petróleo. O objetivo era reduzir a dependência da gasolina importada, aproveitando a produção nacional de cana-de-açúcar.
Durante os anos 1980, o etanol ganhou forte adesão. Em determinados períodos, praticamente todos os automóveis vendidos no país utilizavam exclusivamente o combustível vegetal. Modelos movidos a álcool ficaram conhecidos pelo funcionamento mais suave e pelo desempenho superior em comparação aos equivalentes a gasolina.
Apesar disso, o sistema enfrentou desgaste nos anos 1990 por conta das oscilações no abastecimento e da perda de competitividade econômica do etanol em relação à gasolina. A virada definitiva aconteceu em 2003, com o lançamento dos motores flex, capazes de operar com gasolina, etanol ou qualquer mistura entre ambos. A tecnologia rapidamente dominou o mercado brasileiro e praticamente eliminou os veículos dedicados apenas ao álcool.
Agora, mais de duas décadas depois, a ideia reaparece sob uma lógica diferente. Em vez de substituir completamente a gasolina, o etanol passa a ser visto como ferramenta para reduzir emissões no ciclo de produção e utilização do combustível, especialmente em mercados onde a eletrificação ainda enfrenta obstáculos de custo e infraestrutura.
No caso do Onix Eco, a GM utilizará o já conhecido motor 1.0 turbo de 115 cv com ajustes específicos para funcionar apenas com etanol. O conjunto mantém transmissão automática de seis marchas e adota calibrações próprias para taxa de compressão e gerenciamento eletrônico.
Outro ponto considerado relevante é a manutenção da injeção indireta de combustível. Diferentemente de motores turbo mais modernos com injeção direta, o sistema do Onix pulveriza o combustível fora da câmara de combustão, solução considerada mais compatível com o uso contínuo do etanol.
Com preços próximos das versões convencionais, a GM mira principalmente motoristas de aplicativos, taxistas e consumidores interessados em menor impacto ambiental sem migrar para veículos híbridos ou elétricos.