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Chevrolet Spark EUV tem boas virtudes, mas é caro diante dos rivais

Compacto elétrico da Chevrolet chegou por R$ 155 mil, valor que é muito acima dos concorrentes diretos que partem de R$ 120 mil

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 05/10/2026 às 14:04.
 (Foto: Marcelo Jabulas)
(Foto: Marcelo Jabulas)

Marcelo JabulasNão se pode negar que a GM foi pioneira, entre as marcas generalistas, no segmento de carros elétricos. O Bolt EV chegou há quase 10 anos, numa época em que apenas marcas de luxo apostavam em seus exóticos carros a bateria. Apesar das boas virtudes, o Bolt era caro e teve problemas com sua bateria, fornecida pela LG, que poderia pegar fogo.

Numa época em que o carro elétrico era uma escolha quase insensata, não fazia sentido pagar tão caro num carro que levava uma eternidade para ser recarregado. Hoje, o cenário é outro, o carro elétrico já faz parte dos planos do consumidor comum. Há opções na faixa dos R$ 120 mil e a oferta de eletropostos, nos grandes centros, tornou seu uso tão factível quanto o de um carro a combustão.

O Spark EUV chegou neste cenário. Apresentado em 2025, o modelo é derivado do chinês Wuling Baojun Yep Plus, do grupo SAIC. Não parece um Chevrolet, pelo contrário, tem carinha de Ford Bronco em escala, mas é bastante simpático.

O modelo agrada pelo desempenho. O motor elétrico entrega cerca de 100 cv e 18 kgfm de torque. O número supera BYD Dolphin Mini e Geely EX2, mas fica abaixo do GAC Aion UT, com 21,4 kgfm. O torque instantâneo permite arrancadas e retomadas rápidas. A velocidade máxima é de 150 km/h. Mais que satisfatório para o uso cotidiano.

A proposta urbana aparece nas dimensões. O Spark EUV tem 4,00 m de comprimento e entre-eixos de 2,56 m, medidas que facilitam manobras e estacionamento. O problema está no espaço traseiro. Passageiros altos podem encontrar restrições e o modelo leva apenas quatro ocupantes. Essa configuração reduz a escolha para famílias com mais de dois filhos ou para motoristas de app ou taxistas.

O porta-malas tem 354 litros, volume elevado para um compacto, mas parte dele está em um compartimento inferior sem acabamento completo. A tampa traseira com abertura lateral também exige atenção em vagas apertadas.

O acabamento interno é um dos pontos que diferenciam o Spark EUV. O painel tem revestimentos acolchoados, o banco do motorista possui ajuste elétrico e a central multimídia oferece Apple CarPlay e Android Auto, mas somente por cabo. Há câmera de ré, climatização digital, alerta de colisão e monitoramento ativo de faixa. Não há carregamento por indução nem espelhamento sem fio.

No teste urbano, o carro percorreu 50 km com três ocupantes consumindo 10% da bateria, ou cerca de 4,2 kWh. Considerando uma recarga rápida a R$ 2 por kWh, seriam aproximadamente R$ 8 para percorrer essa distância. Em casa, tende a ser menor. É nessa conta que o Spark EUV encontra seu principal argumento: o custo por quilômetro pode ficar abaixo do de um carro a combustão.

A autonomia na faixa de 250 km limita a proposta. Para quem utiliza o automóvel diariamente na cidade e pode recarregá-lo em casa, o alcance atende aos deslocamentos urbanos. Para viagens, é necessário planejar recargas e verificar a infraestrutura disponível.

O Spark EUV deve ser encarado como um carro estritamente urbano. Tamanho, torque, consumo e facilidade de recarga doméstica combinam com deslocamentos diários. O preço de R$ 155 mil, os quatro lugares e a autonomia limitada restringem sua aplicação. A GM já oferece o modelo por R$ 146 mil, no site, mas ainda sim é salgado diante das opções de entrada de Mini Dolphin e EX2. Por outro lado, a ampla rede Chevrolet é uma tranquilidade na assistência técnica.

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