
Quanto tempo o caro leitor perde no trânsito todos os dias? Se o amigo mora em Belo Horizonte ou outra capital brasileira, certamente gasta uma eternidade “rastejando” pelas ruas brasileiras.
No fim das contas, nossos carros se tornam uma extensão de nossas casas. Comemos, fazemos reuniões, ouvimos músicas e até dormimos neles. Tudo isso entre um congestionamento e outro.
Ao mesmo tempo, o automóvel tem passado por uma metamorfose. A eletrificação está desconstruindo a antiga arquitetura dos carros. Com pequenos (e potentes) motores elétricos montados diretamente nas rodas, não há mais necessidade de cofre do motor (a parte da frente) e com baterias montadas no assoalho, há amplo espaço livre de ponta a ponta. Assim, a ideia é transformar o automóvel em algo mais que um veículo de transporte: uma extensão do lar.
E foi mais ou menos pensando no problema do trânsito e uma revolução na forma de se fazer carros que a Citroën revelou o ELO. Trata-se de um concept car elétrico desenvolvido para explorar soluções de espaço, modularidade e conectividade em veículos compactos. O protótipo antecipa iias para futuras aplicações em modelos de produção da marca e busca responder às demandas de mobilidade em centros urbanos.
Com 4,10 m de comprimento, o ELO foi estruturado para oferecer um interior ampliado em relação ao tamanho externo. A arquitetura elétrica permitiu a criação de piso plano e a eliminação de elementos volumosos da mecânica tradicional, favorecendo a distribuição interna dos componentes. O veículo pode transportar até seis ocupantes, dependendo da configuração dos assentos, que podem ser removidos, reposicionados ou transformados em módulos de apoio conforme a função desejada.
O projeto adota a filosofia “Rest, Play, Work”, que serve como base para a organização do habitáculo. O objetivo é permitir que o carro funcione como ambiente de deslocamento, descanso ou trabalho, acompanhando mudanças de uso ao longo do dia. Para isso, bancos individuais foram desenvolvidos para facilitar a mobilidade interna e permitir múltiplas combinações. Portas com abertura invertida e ausência de coluna central ampliam o acesso à cabine.
A posição central de direção é outro elemento estudado no conceito. O posto oferece campo visual amplo e permite que o assento do motorista se integre ao espaço interno quando o veículo está parado. O painel dispensa telas tradicionais e utiliza projeção de informações em uma superfície refletiva no para-brisa, reduzindo o número de componentes físicos no cockpit.
As superfícies internas priorizam resistência, limpeza simples e adaptação a atividades externas, como transporte de equipamentos esportivos ou utilização do espaço como ponto de apoio para lazer e trabalho remoto. Ou seja, foi pensado para se passar muito tempo lá dentro, sem o risco de se tornar um muquifo.
No exterior, o modelo apresenta elementos de identidade visual alinhados às propostas recentes da Citroën, incluindo assinatura luminosa frontal e logotipo iluminado. O desenho explora superfícies amplas e áreas envidraçadas para maximizar a entrada de luz na cabine. O conjunto de rodas, pneus e proteções externas foi desenvolvido para uso misto em trânsito urbano e deslocamentos de lazer.
O ELO não tem previsão de produção, mas servirá como base para estudos de usabilidade, acabamento e soluções elétricas da marca. A Citroën afirma que o protótipo funciona como laboratório de ideias para futuras aplicações em veículos compactos e multifuncionais. O modelo fará a primeira apresentação pública no Salão Automóvel de Bruxelas, programado para janeiro de 2026.