O CARRO DO ANO

Descobrimos o que fez do Renault Boreal o principal lançamento de 2025

SUV médio não venceu apenas por estar num degrau acima dos competidores diretos da premiação, mas por ser a materialização da nova fase da marca francesa

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 18/02/2026 às 12:21.
 (Marcelo Jabulas)
(Marcelo Jabulas)

O Renault Boreal foi eleito Carro do Ano pela revista Autoesporte no final de 2025. O SUV venceu concorrentes como Volkswagen Tera e Honda WR-V. Olhando friamente, o amigo pode argumentar que o Boreal, por ser um SUV médio (C-SUV) levaria vantagem diante do um B-SUV (WR-V) e um A-SUV (Tera).

De fato não há como negar que o porte, conjunto mecânico e acabamento do francês superam fácil seus rivais de segmentos menos abastados. Mas o que fez o Boreal vencer não foi seus rivais no páreo, foi a confirmação da virada de chave da Renault.

A Renault chegou ao Brasil nos anos 1990, com a abertura das importações. Na virada do milênio, ela inaugurou a fábrica de São José dos Pinhais (PR) e iniciou a produção do Scenic e posteriormente do Clio.

Em meados dos anos 2000 ela viu que precisaria se ajustar à realidade do mercado, que tinha forte predomínio dos populares. Ela então lançou o Logan e Sandero.

Deu certo, e a participação da francesa subiu bastante. Ela então apostou no Duster, na renovação de Logan e Sandero e em seguida lançou o Kwid. 

No entanto, o mercado virou mais uma vez. Fabricar e vender “barato” deixou de ser um bom negócio. O ideal é fabricar menos e vender mais caro.

Mas para isso é preciso qualificar o portfólio. Foi aí que surgiu o Kardian. Um produto refinado que pouco lembrava a Renault que a gente conhecia. Era a nova fase da marca por aqui. Mas a confirmação dessa virada de chave se deu com o Boreal.

Sim, a Renault pode fabricar carros sofisticados no Brasil e não apenas na França. Isso que deu a ela o título. A conclusão de sua mudança de estratégia.

O Boreal é ótimo, tem espaço de sobra e pacote muito farto. Seu motor 1.3 TCe de 163 cv e 27,5 kgfm de torque oferece excelente comportamento dinâmico, principalmente quando combinado com a caixa de dupla embreagem e seis marchas. O conjunto oferece excelente comportamento, com trocas rápidas e torque a todo momento.

O acerto de suspensão é bem calibrado, absorvendo as irregularidades da pista, mas com firmeza nas curvas, mesmo naquelas mais fechadas com velocidade elevada, naquela situação que o motorista se distrai e topa com um “cotovelo” na rodovia. 

Na versão topo de linha, Iconic, a Renault justifica os R$ 215 mil pedidos na etiqueta. O acabamento interno encanta pela qualidade. Nem parece a Renault de outrora. O carro é sofisticado, com quadro de instrumentos digital, com grafismo muito bem elaborado que entrega ótima leitura. Nada de enfeites que só confundem o motorista.

O multimídia é combinado com sistema de áudio Harman-Kardon, com equa-lização assinada por Jean-Michel Jarre, músico francês que é um dos precursores da música eletrônica. A central ainda oferece conexão sem fio para smartphones e navegador Google Maps nativo, já que conta com conexão 5G embarcada (mediante assinatura de plano de dados). Ela ainda permite download de aplicativos.

O Boreal ainda oferece pacote ADAS, climatização digital de duas zonas, repetidor de para segunda fileira, além de portas USB-C para o motorista, passageiro e a turma do fundão. Entre os mimos do SUV ainda figuram partida sem chave, bancos com ajuste elétrico, teto solar panorâmico e abertura elétrica do porta-malas (este que comporta nada menos que 520 litros na medida VDA). 

É um carro muito completo, com credenciais para fazer frente ao Jeep Compass e Toyota Corolla Cross, que são as referências do segmento. Um belo carro.

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por