QUESTÃO DE PERSPECTIVA

Dirigimos pela primeira vez o Chevrolet Sonic

Chevrolet Sonic estreia para disputar espaço entre os SUVs compactos (não com os cupês), como deixa claro na primeira experiência ao volante

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 01/06/2026 às 09:04.
 (Foto: Marcelo Jabulas)
(Foto: Marcelo Jabulas)

Nessa vida, tudo é uma questão de ponto de vista. E o Chevrolet Sonic é um bom exemplo. A General Motors acabou de lançar seu SUV compacto derivado do Onix. Um carro oferecido em duas versões e com preços entre R$ 130 mil e 136 mil. 

Para isso esticou as extremidades do hatch, deixou o capô mais elevado, ajustou os ângulos de entrada e saída (que realmente são excelentes) e fez dele um utilitário de entrada. Uma receita que a Fiat inaugurou em 2021, com o Pulse, e foi copiada por Renault e Volkswagen com Kardian e Tera, na ordem.

O problema é que a GM faz questão de reforçar que o Sonic não se enxaixa nesse segmento graças aos 5,23 cm de comprimento, que são muito próximos dos 4,27 m do Volkswagen Nivus. O VW se posiciona num degrau acima. Kardian, Pulse e Tera ficam abaixo dos 4,20 m. 

Mas quando se compara com o Fastback, o italiano tem 21 cm a mais e um porta-malas imenso de 516 litros (VDA). A GM fez uma apresentação detalhada para convencer seus convidados, mas não convenceu.

No entanto, fomos tirar a prova ao volante do Sonic. Se ele realmente traz uma experiência mais estimulante que o Onix e mais próxima de seus concorrentes de estilo cupê.

O SUV deriva diretamente do Onix e compartilha com o hatch praticamente toda a base mecânica. Debaixo do capô está o motor 1.0 turbo de três cilindros, com 115 cv e torque de 18,9 kgfm, sempre combinado ao câmbio automático convencional de seis marchas. Em relação ao Onix a diferença está no uso de injeção direta (como Montana e Tracker).

No primeiro contato ao volante, o comportamento lembra bastante o do Onix. O motor entrega respostas rápidas no uso urbano e desempenho suficiente para estrada, enquanto a transmissão privilegia suavidade nas trocas. O conjunto não chega a ser esportivo, mesmo na versão RS, mas mantém um acerto equilibrado para o uso diário.

Visualmente, o Sonic ganhou carroceria mais elevada e linhas que seguem a tendência dos SUVs compactos atuais. O modelo cresceu em comprimento em relação ao Onix, principalmente nos balanços dianteiro e traseiro, o que ajudou a ampliar o espaço para bagagens, mas o entre-eixos tem os mesmos 2,55 m do hatch. O porta-malas de 392 litros (VDA) não decepciona

Por dentro, o SUV traz praticamente o mesmo pacote tecnológico já adotado pelos rivais do segmento. O modelo conta com painel digital, central multimídia, carregador de celular por indução, ar-condicionado digital e assistentes de condução, como alerta de colisão frontal e monitor de permanência em faixa.

A suspensão segue a fórmula tradicional da categoria, com McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. O ajuste é mais firme e transmite sensação de estabilidade.

O carro não desaponta, não fica atrás de Kardian, Pulse ou Tera, assim como não faz feio diante de Fastback e Nivus com motores 1.0 turbo. Pois seria constrangedor tentar caminhar ao lado das versões GTS (Nivus) e Abarth (Fastback). Mas se a GM quisesse mesmo um SUV cupê para brigar na prateleira de cima, deveria ter desenvolvido o Sonic sobre a base do Onix Plus, que tem entre-eixos maior e ganharia um porta-malas capaz de fazer frente ao Fastback. E melhor seria se tivesse recebido o motor 1.2 de 140 cv. Aí a perspectiva mudaria significativamente.

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