
A indústria automotiva norte-americana está longe, mas muito longe, de ser a mais refinada do planeta. Mas uma coisa é certa: eles sabem criar ícones. Chevrolet Corvette, Ford Mustang dificilmente conseguem superar GTs europeus, mas a turma do Tio Sam nem liga e os idolatra.
O mesmo sempre aconteceu com o Dodge Charger, um dos carros mais malvados de todos os tempos. E o segredo dessa sedução se resume em oito pistões.
Isso mesmo, o motor V8 é quase uma instituição norte-americana, como hambúrguer, cachorro-quente e Elvis Presley. Todo executivo de montadora norte-americana perde o sono com a hipótese do fim do V8. A GM testou o mercado com uma versão 2.0 do Camaro, assim como a Ford com o Mustang, que também adotou um bloco quatro cilindros, mas nunca abriram mão dos V8. Até o Vette híbrido (que o HD AUTO já testou) ainda tem um V8.
Mas a Dodge, que pertence à Stellantis, resolveu tirar seu lendário bloco de câmaras hemisféricas da praça. O substituiu por um seis cilindros 3.0 biturbo (que é espetacular, por sinal) e o aplicou nas picapes Ram de no Charger, que também ganhou uma versão elétrica. A reação foi imediata a uma espécie de heresia. Se não bastasse, o novo Charger aposentou também o Challenger e a geração anterior do sedã, mesmo sob pedidos desesperados dos fãs para mantê-los em linha.
Para tentar amenizar a situação, a Dodge resgatou o nome Super Bee para uma nova versão do Charger, que chega à linha 2027 como a configuração mais potente do modelo equipada com motor a combustão.
Batizada de Super Bee Launch Edition, a série que resgata uma das versões mais endiabradas dos muscle car da Chrysler (lançada originalmente em 1968 no Dodge Coronet) utiliza o motor Hurricane 3.0 de seis cilindros em linha, biturbo, com 600 cv e 72,2 kgfm de torque. A configuração combina transmissão automática de oito marchas e tração integral, mas permite direcionar a força para o eixo traseiro em determinados modos de condução.
O Super Bee deriva do Charger Scat Pack, que utiliza o mesmo propulsor, mas entrega 550 cv. Para chegar aos 600 cv, a Dodge aplicou alterações no sistema de admissão, intercooler e arrefecimento, além de turbocompressores Garrett de maior capacidade. O resultado é uma aceleração de 0 a 96 km/h em 3,6 segundos e quarto de milha em 11,8 segundos.
A preparação também envolve o chassi. A suspensão recebeu amortecedores adaptativos de controle contínuo, enquanto a barra estabilizadora traseira foi reforçada para reduzir os movimentos da carroceria. O conjunto utiliza rodas de 20 x 11 polegadas calçadas com pneus Goodyear Eagle F1 Supercar 3 de medida 305/35 ZR20.
O sistema de freios foi dimensionado para suportar o uso em condições severas. O Super Bee utiliza discos Brembo de 16 polegadas, com pinças de seis pistões no eixo dianteiro e quatro no traseiro. Segundo a Dodge, o conjunto aumenta em 27% a área das pastilhas em relação ao sistema utilizado anteriormente no Charger SRT e tem o dobro da resistência à perda de eficiência provocada pelo aquecimento.
A carroceria também recebeu alterações específicas. O pacote inclui componentes aerodinâmicos e soluções para melhorar o fluxo de ar e a refrigeração do conjunto mecânico. No interior, os bancos têm maior apoio lateral e acabamento próprio da versão.
O carro ainda conta com o Drive Experience Recorder, sistema desenvolvido pela Cosworth que registra dados de condução e permite analisar informações de desempenho. Será que o ferrão da abelha conseguirá acalmar os ânimos dos fãs de muscle cars?