
Entre os grandes nomes da indústria automotiva, é preciso destacar sobrenomes como Porsche, Ferrari, Chapman, Benz, Ford, Chevrolet, Toyoda, Honda, Pagani e Bugatti. Mas não podemos esquecer de Murray.
Este é o sobrenome do sul-africano Ian Gordon Murray, um gênio da engenharia que projetou incontáveis carros de corrida, inclusive os monopostos vencedores da McLaren nos anos 1980, nos quais Ayrton Senna e Alain Prost foram campeões.
Mas Murray escreveu seu nome nas colunas do panteão do automóvel com o McLaren F1. O supercarro lançado em 1992 eclipsou modelos como Ferrari F40, Lamborghini Diablo, Bugatti EB110 e Jaguar XJ220.
Agora, quase 35 anos depois, Murray retorna com sua nova criatura, que se nega veementemente a se curvar às novas tecnologias. O S1, novo projeto associado à divisão Gordon Murray Special Vehicles, leva adiante a ideia de que o automóvel deve ser construído em torno da experiência de condução. E, nesse caso, o motor continua sendo o elemento central.
O modelo faz parte da estratégia de projetos especiais da marca, criada para atender clientes interessados em automóveis de produção extremamente limitada e com características específicas. A divisão já apresentou o S1 LM, primeiro carro desenvolvido pela GMSV, e o Le Mans GTR, ambos derivados da filosofia técnica estabelecida por Gordon Murray no T.50.
A fórmula é conhecida, mas se torna cada vez mais rara no segmento dos supercarros. A prioridade está na redução de massa, na aerodinâmica integrada à carroceria e, principalmente, em um conjunto mecânico que estabeleça uma ligação direta entre motorista e máquina. Em vez de recorrer à eletrificação para ampliar números de potência e acelerar tempos de resposta, a Gordon Murray aposta no motor aspirado de alta rotação.
O S1 é equipado com um motor V12 4.2 de 663 cv e 46,7 kgfm de torque, combinado com uma transmissão manual de seis marchas. Ou seja, um carro purista de ponta a ponta, que demanda habilidade apurada para controlar e extrair o máximo de seu potencial.
O S1 também representa uma retomada de referências que marcaram a trajetória de Gordon Murray. O S1 LM, por exemplo, homenageia o McLaren F1 GTR vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1995, com carroceria inteiramente nova em fibra de carbono, posição central de condução e soluções aerodinâmicas desenvolvidas especificamente para o modelo.
A posição de dirigir central é um dos elementos mais característicos da filosofia de Murray. Ela foi adotada no McLaren F1 e retomada décadas depois no T.50. A solução melhora a visibilidade e estabelece uma relação diferente entre o motorista, os comandos e a geometria do automóvel. Em uma época em que supercarros acumulam telas, assistentes eletrônicos e diferentes modos de condução, o conceito procura reduzir as interferências entre o condutor e a mecânica.
A estratégia também passa pela produção limitada. Apenas cinco unidades do S1 LM serão fabricadas, enquanto o Le Mans GTR terá 24 exemplares, todos baseados em projetos desenvolvidos para clientes específicos. Com tiragem limitada, o S1 deverá seguir a mesma trajetória do F1, que teve apenas 106 exemplares produzidos e hoje não custa menos de US$ 20 milhões.