
A eletrificação é inevitável e nem mesmo os supercarros escaparão dela. Mas se o amigo tem muito, mas muito dinheiro, pode até retardar a finitude do motor a combustão. E foi o que um sujeito com muita influência fez ao tocar a campainha nos portões de Maranello, com um saco gordo de notas.
E atendendo ao seleto pedido, a Ferrari projetou o HC25, novo modelo da série One-Off (exemplar único) desenvolvido pelo programa Special Projects da marca italiana. Ou seja, apenas esse cliente tem esse carro. O superesportivo foi apresentado durante o Ferrari Racing Days, no Circuito das Américas, nos Estados Unidos, e funciona como uma espécie de despedida da linhagem de esportivos V8 centrais sem eletrificação da fabricante de Maranello.
A base técnica da HC25 é a da Ferrari F8 Spider, da qual herda chassi, conjunto mecânico e arquitetura de motor central-traseiro. Porém, o visual praticamente não tem relação com o modelo original. O projeto foi conduzido pelo Ferrari Design Studio, sob direção de Flavio Manzoni, com foco em criar uma interpretação futurista dos esportivos conversíveis da marca.
O resultado é um carro com linhas muito mais limpas e geométricas, aproximando a linguagem visual da HC25 dos recentes Ferrari F80 e 12Cilindri. Inclusive antecipa elementos estéticos que servirão de base para modelos futuros, como a solução do conjunto ótico, mais elegante que os utilizados na própria F80 e 849 Testarossa.
A carroceria aposta em volumes musculosos sobre as rodas, superfícies lisas e uma faixa central preta brilhante que percorre lateral e traseira do veículo. Além do efeito visual, esse elemento concentra entradas de ar e áreas de dissipação térmica do conjunto mecânico. Ou seja, é uma F8 na essência, mas muito bem disfarçada.
Outro destaque está na iluminação inédita. Os faróis utilizam módulos desenvolvidos exclusivamente para o projeto, com desenho estreito e assinatura vertical em formato de bumerangue. Na traseira, as lanternas seguem conceito semelhante, reforçando a identidade visual minimalista do carro. As proporções também foram alteradas para reduzir visualmente a área envidraçada e criar uma silhueta ainda mais baixa e larga.
Internamente, a Ferrari manteve parte da estrutura da F8 Spider, mas aplicou novos acabamentos inspirados na carroceria. Tons de cinza fosco dividem espaço com detalhes amarelos, repetindo a combinação presente nos emblemas e pinças de freio. As rodas também foram criadas especificamente para a HC25, com desenho de cinco raios e acabamento diamantado.
Debaixo da carroceria está o conhecido V8 3.9 biturbo de 720 cv a 7.000 rpm e 78 kgfm de torque a 3.250 rpm, trabalhando em conjunto com o câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas. Segundo a Ferrari, a HC25 acelera de 0 a 100 km/h em 2,9 segundos e atinge 340 km/h de velocidade máxima. Eletricidade neste carro? Somente a bateria 12 volts.
Fim de uma era
A Ferrari HC25 coloca fim numa dinâmica iniciada em 1973, com a 308 GT4, que ainda trazia o emblema Dino, que era a divisão de entrada da marca, sem propulsores V12. Mas em 1975, com a chegada da 308 GTB (aquela do seriado Magnum P.I.), a Ferrari encontrou seu carro-chefe. Ela evoluiu para 328, 348, F355, 360 Modena, F430, 458 Itália, 488 e F8
Hoje, os modelos 849 Testarossa e 296 dão continuidade à linhagem dos motores "pequenos" de posição posterior na Ferrari. Mas ambos são eletrificados, com auxílio de motores elétricos, e com potências absurdas, chegando a 1.050 cv na nova Testarossa. Além disso, a marca prepara o lançamento da Luce, que será a primeira Ferrari 100% elétrica.
Vida longa a HC25.