MISSÃO CUMPRIDA

Fiat Argo chega a 750 mil unidades e encerra ciclo que redefiniu a gama da marca no Brasil

Modelo chegou ao mercado em 2017 para substituir Punto, Palio e Bravo, além de criar uma família com dos SUVs

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 02/07/2026 às 16:13.
 (Foto: Fiat/Divulgação)
(Foto: Fiat/Divulgação)

Ao atingir a marca de 750 mil unidades produzidas no Brasil, o Fiat Argo chega a um dos momentos mais importantes de sua trajetória. Prestes a dar lugar a uma nova geração baseada na plataforma global CMP da Stellantis, o hatch se despede de um ciclo iniciado em 2017, quando recebeu uma das missões mais complexas da história recente da indústria automotiva nacional: substituir simultaneamente os veteranos Palio, Punto e Bravo.

Lançado em maio daquele ano, o Argo representou uma profunda transformação na estratégia da Fiat. Desenvolvido no Brasil sobre a plataforma MP1, o hatch reorganizou toda a linha de automóveis compactos da fabricante e serviu de base para a criação de uma nova família de produtos. Da mesma arquitetura nasceram posteriormente o sedã Cronos e, anos mais tarde, os SUVs Pulse e Fastback, consolidando uma estratégia que ainda sustenta boa parte das vendas da marca no país.

Desde o lançamento, o Argo apresentou uma ampla variedade de versões e motorizações. A gama estreou com o moderno motor Firefly 1.0 de três cilindros e até 77 cv, enquanto as versões intermediárias utilizavam o propulsor Firefly 1.3 de quatro cilindros, com potência de até 109 cv. O hatch também manteve em linha o tradicional motor E.torQ 1.8 flex, de até 139 cv, associado ao câmbio manual de cinco marchas ou à transmissão automática de seis velocidades. Já o motor Firefly 1.3 foi oferecido tanto com câmbio manual quanto com a transmissão automatizada GSR e, posteriormente, com a caixa automática CVT.

Foi justamente o propulsor 1.8 que deu origem àquela que se tornaria a versão mais emblemática do modelo. O Argo HGT resgatou uma tradicional sigla esportiva da Fiat, apostando em visual exclusivo, rodas de 17 polegadas, acabamento diferenciado e suspensão com calibração própria. Embora nunca tenha sido um esportivo propriamente dito, a versão HGT ajudou a consolidar a imagem do hatch nos primeiros anos de mercado.

Outra variante importante surgiu em 2019 com a chegada do Argo Trekking. Com suspensão elevada, molduras plásticas, detalhes exclusivos e proposta aventureira, a versão ocupou um espaço tradicionalmente explorado pela Fiat no mercado brasileiro. Inicialmente equipada com o motor Firefly 1.3, a Trekking rapidamente se tornou uma das configurações mais procuradas da linha.

Ao longo dos anos, o Argo passou por sucessivas atualizações. O motor E.torQ foi descontinuado, a transmissão automatizada GSR deixou de ser oferecida e a linha passou a concentrar-se nos motores Firefly, com a adoção da transmissão automática CVT nas versões equipadas com o propulsor 1.3. A versão HGT saiu de cena, enquanto a Trekking permaneceu como uma das principais representantes da gama.

Os números ajudam a explicar a relevância do projeto. Segundo dados da Fenabrave, o Argo acumula mais de 627 mil emplacamentos desde seu lançamento até 2025 e registrou seu melhor desempenho comercial em 2024, quando ultrapassou a marca de 91 mil unidades vendidas no mercado brasileiro.

Agora, às vésperas da apresentação de seu sucessor global, derivado do Fiat Grande Panda europeu, o Argo se prepara para cumprir novamente o papel que desempenhou há quase uma década: abrir caminho para uma nova família de veículos da marca italiana, que deverá dar origem a uma gama composta por hatch, crossover, SUV de sete lugares e picape compacta.

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