PRODUTO FINAL

Fiat Titano argentina é outra picape, mas ainda tem seus pecados

Segunda safra da picape italiana mostra evolução em relação à "tiragem uruguaia", mas longe de se tornar referência

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 16/09/2026 às 12:40.
 (Foto: Marcelo Jabulas)
(Foto: Marcelo Jabulas)

Já cansei de entender e até mesmo puxar a língua de executivos da Stellantis para explicar a razão do lançamento prematuro da Fiat Titano. Para quem não se lembra, a picape foi lançada em março de 2024, quando era produzida na unidade uruguaia da Nordex.

Ela era uma picape rudimentar, com motor ruim, transmissão ruim e uma suspensão que fazia o carro dos Flintstones ser um tapete voador. Em 2025 sua montagem foi transferida para Córdoba, na Argentina, e o carro mudou da água para o vinho.

E a Fiat Titano 2026 chegou com a missão de corrigir os principais problemas da primeira versão e fomos conferir a versão topo de linha Ranch, que parte de R$ 290.490. Por fora, quase nada mudou. A carroceria mantém o mesmo desenho. As alterações estão concentradas no conjunto mecânico e no acerto da suspensão.

O antigo motor 2.2 turbodiesel de 180 cv e 41 kgfm foi substituído por um 2.2 biturbo de 200 cv e 46 kgfm. O câmbio automático de seis marchas também deu lugar a uma transmissão de oito velocidades. Os ganhos de potência e torque não parecem expressivos isoladamente, mas melhoram as respostas em retomadas e ultrapassagens. A transmissão mantém o motor em rotações mais baixas em velocidade de cruzeiro, condição que favorece o consumo e o conforto acústico.

A suspensão recebeu uma mudança mais perceptível. A Titano anterior tinha acerto rígido, que transmitia com intensidade as irregularidades do piso para a cabine. Na nova configuração, a calibração ficou mais macia sem eliminar a capacidade de enfrentar pisos ruins ou comprometer a capacidade de carga de 1 tonelada. Em trechos de terra, áreas alagadas e terrenos acidentados, a picape manteve a capacidade de rodar fora do asfalto, mas agora com maior conforto para quem está ao volante.

O sistema de tração 4x4 oferece as opções 4x2, 4x4 sob demanda e 4x4 reduzida. No modo automático, o sistema prioriza o eixo traseiro e envia torque às rodas dianteiras quando identifica necessidade de tração. Para rodar no asfalto, o 4x2 pode ser selecionado.

A cabine também preserva equipamentos que ajudam a aproximar a Titano do perfil de veículo de uso misto, apesar do acabamento ser inferior aos rivais. Ela oferece painel parcialmente digital, central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay, ar-condicionado digital de duas zonas, freio de estacionamento eletrônico e câmera com visão de 360 graus.

A lista de segurança inclui controle de cruzeiro adaptativo, monitor de permanência em faixa, sensor de ponto cego, alerta de colisão frontal e frenagem autônoma de emergência. Falta, porém, o monitor de tráfego cruzado em ré, recurso importante em uma picape com traseira elevada e visibilidade limitada. A função auto hold também não está disponível, apesar de o veículo contar com freio de estacionamento eletrônico.

Mas a eletrônica da picape é defasada em pontos que poderiam ser facilmente resolvidos. O multimídia tem funcionamento irritante, com a exigência de conexão com telefone oscilante, que horas reconhece outras funcionam apenas por cabo, assim como a falta de carregamento por indução. Até o rádio teima em funcionar corretamente. Parece bobagem, mas são recursos que já fazem parte do cotidiano dos motoristas, principalmente para aquele que se dispôs a gastar quase R$ 300 mil.

Mesmo assim, a evolução mecânica deixa a Titano mais próxima das concorrentes tradicionais. O motor agora oferece respostas mais adequadas ao porte da picape e a suspensão deixou de ser um dos principais pontos de crítica.

Mesmo assim, a Titano tem um desafio grande pela frente. Por mais que tenha a gigantesca rede assistencial da Fiat ao seu favor (coisa que a GM oferece também e não é líder), a marca precisa encarar uma concorrência acirrada com risco de “fogo amigo” com a prima rica Ram Dakota.

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