
A Fiat Toro tem assistido à chegada de novas picapes na praça, desde a prima rica, Ram Rampage, à malfadada Chevrolet Montana, o que não faltam são novas picapinhas para tentar abocanhar um pedaço de seu pasto. E depois de 10 anos de mercado, a Toro precisou evoluir mais uma vez.
A principal novidade foi a inclusão do módulo elétrico 48V ao motor T270 1.3 turbo. Trata-se do mesmo conceito adotado no Pulse e Fastback, em que um super alternador assume a função de gerar carga para a bateria 12V, dar partida e auxiliar o motor a combustão. São 6 kgfm que atenuam o esforço do bloco e atuam em momentos em que ele é menos eficiente e polui mais.
Na prática, o torque extra não vai para as rodas. A Toro MHEV entrega os mesmos 27 kgfm de torque, a diferença é que os 6 quilos compensam o esforço que seria destinado aos agregados, ar-condicionado e alternador e ajudam o motor em situações de baixa pressão da turbina.
Esse fenômeno chamado turbo lag acontece quando a rotação está num nível baixo e há pouco volume de gases de escapamento para mover as pás do rotor, que por sua vez gira as pás da turbina e aumenta o volume de ar coletado para as câmaras de combustão. Assim, o carro fica fraco e demora a responder.
O motorzinho elétrico ajuda a girar o virabrequim com mais facilidade nesse momento de pouca potência, atenuando o efeito. Na prática é uma aceleração mais linear e sem retardos.
Outra vantagem do sistema elétrico está no consumo de combustível. Quando testamos a Toro 1.3 turbo pela primeira vez, o consumo urbano com etanol na casa dos 6,5 km/l foi decepcionante. Afinal, o motor substitui o velho Etorq 1.8 de 139 cv, que era nada eficiente. Com gasolina, o T270 sempre registrou médias melhores, mas nada acima dos 10,0 km/l, na cidade.
Com o sistema eletrificado, o consumo melhorou significativamente. Testamos a versão Volcano Turbo Flex MHEV, que registrou uma média na faixa dos 9,0 km/l no combinado entre trajeto urbano e rodoviário, com combustível verde. Na prática foi possível rodar a semana toda sem precisar abastecer, algo que não era possível com suas antecessoras quando abastecidas com etanol.
Mas vale a pena?
A Toro Volcano eletrificada parte de R$ 197,5 mil, enquanto a versão sem módulo elétrico custa R$ 177.500. É uma diferença de R$ 20 mil, mas que também contempla um pacote de conteúdos mais caprichado que na versão Freedom.
Assim, cabe colocar na ponta do lápis quanto tempo esse ganho de eficiência irá amortizar a grana a mais pela versão eletrificada.