CARNEIRO, ONÇA E JACARÉ

Fomos ao Pantanal descobrir se a Dakota é uma Titano em pele de carneiro

Dakota estreia a partir de R$ 290 mil com atributos que a colocam em degrau acima da prima Titano, mas com o mesmo conjunto mecânico da italiana

Publicado em 10/02/2026 às 10:17.Atualizado em 10/02/2026 às 14:12.
 (Ram/Divulgação)
(Ram/Divulgação)

A Ram Dakota marca a entrada definitiva da marca do carneiro no segmento de picapes médias no Brasil. Após um ano de apresentações públicas, incluindo conceito e versão final, o modelo finalmente foi avaliado em uso real, em estrada e fora de estrada, no Pantanal Sul-Mato-Grossense. A picape chega ao mercado em duas versões, Warlock e Laramie, posicionando-se acima da Fiat Titano dentro do portfólio da Stellantis.

A versão da Warlock, de entrada, parte de R$ 290 mil na pré-venda e adota visual mais aventureiro, com molduras externas sem pintura, rodas de 17 polegadas preparadas para pneus todo-terreno e acabamento externo escurecido. A caçamba tem cerca de 1.200 litros e capacidade de carga de até uma tonelada, números iguais aos da Laramie. A principal diferença entre as versões está no pacote de assistências à condução, já que a Warlock não oferece monitoramento de tráfego cruzado traseiro.

A Laramie, topo de linha, agrega acabamento mais sofisticado e maior nível de tecnologia embarcada. O interior traz painel digital e central multimídia flutuante de 12 polegadas, concentrando praticamente todos os comandos do veículo. Há revestimento em couro, bancos dianteiros com ajustes elétricos, carregamento de celular por indução ventilado, freio de estacionamento eletrônico e seletor de câmbio eletrônico.

Sob o capô, a Ram Dakota utiliza motor 2.2 turbodiesel, com 200 cv de potência e 46 kgfm de torque, associado a sistema de tração 4x4 sob demanda. O conjunto prioriza desempenho consistente em retomadas e estabilidade em velocidades de cruzeiro, ainda que a entrega inicial de torque não seja imediata. A capacidade de reboque chega a 3.500 kg, reforçando a proposta de uso misto entre trabalho e lazer.

No comportamento dinâmico, a Dakota apresenta características típicas de uma picape média, com traseira mais firme devido à suspensão com feixe de molas. O acerto, no entanto, evoluiu significativamente em relação à primeira fase da Fiat Titano. Após a transferência da produção para a Argentina, a engenharia da Stellantis revisou a suspensão e freios, eliminando o excesso de rigidez e melhorando o conforto em pisos irregulares.

A versão Laramie tem ainda com pacote completo de assistências à condução, incluindo controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, monitor de ponto cego e assistente de permanência em faixa. Um dos destaques é o sistema de câmeras com visão ampliada, que projeta imagens do solo à frente do veículo para facilitar a condução fora de estrada.

Na casa do jacaré

No Pantanal, colocamos a picape para encarar estradas de terra enlameadas em um clima com hora certa para chover (sempre no início da tarde). Subimos trilhas irregulares para alcançar o topo de uma chapada e até atravessamos terrenos que se alagam no período da cheia.

O carro mostrou vigor no off-road, sem titubear. O acerto da suspensão é excelente, sem pular tanto quanto a primeira safra da Titano, mas sem ser macia demais e comprometer a estabilidade.

Em rodovias pavimentadas, a picape mostrou que não tem o mesmo vigor da Ranger, Amarok e nem da versão mais potente da Hilux, mas é uma picape firme que sustenta velocidades elevadas sem “passarinhar” a traseira com caçamba vazia.

Agora, é ver como a Dakota irá performar na praça. Ela herda um nome forte. Nas contas da Stellantis, a ideia é que Titano e Dakota completem a faixa de preços e juntas consigam um volume que justifique o investimento feito na planta de Córdoba, na Argentina.

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