
O carro elétrico é uma realidade irreversível, por mais que os mercados, indústria e governos não sejam capazes de absorvê-los integralmente, ainda. Enquanto chineses moldam como é o carro elétrico do presente e do amanhã, fabricantes tradicionais buscam referências no passado. E a Honda bebeu nessa fonte com o N, há quase 15 anos.
Mas o N era um carro exclusivamente para o mercado japonês, que tem bom desempenho. Ele é uma evolução dos kei cars japoneses e com referências visuais ao clássico City Turbo II dos anos 1980. Mas, para conquistar novos mercados, a marca adicionou um pouco de veneno.
Agora a marca japonesa apresenta o Super-N, que será oferecido ao mercado britânico em 2026 como uma alternativa diferenciada entre os pequenos veículos elétricos. O curioso é que não haverá distribuição para o restante da Europa. E a razão é simples: o Super-N utiliza mão inglesa. Ou seja, volante do lado direito, o que o torna exclusivo para britânicos e outras praças onde se dirige em sentido oposto.
O Super-N recebeu modificações para ampliar sua presença visual e seu comportamento dinâmico. O modelo adota para-lamas alargados, para-choques exclusivos, tomadas de ar destacadas e uma postura mais larga em relação aos veículos que serviram de base para seu desenvolvimento.
O principal diferencial técnico é o sistema denominado Boost Mode. Quando acionado, ele eleva a potência do conjunto elétrico de 47 kW (64 cv) para 70 kW (95 cv), permitindo respostas mais rápidas ao acelerador e melhor desempenho.
A Honda também incorporou um sistema eletrônico capaz de simular trocas de marcha por meio de uma transmissão virtual de sete velocidades. O recurso trabalha em conjunto com um gerador de sons artificiais para reproduzir sensações semelhantes às de um automóvel equipado com motor a combustão.
A proposta busca responder a uma das principais críticas dirigidas aos veículos elétricos: a ausência de envolvimento emocional ao volante. Para isso, a fabricante realizou calibrações específicas de suspensão e direção em estradas japonesas e britânicas, priorizando agilidade e comportamento dinâmico.
O compacto utiliza uma bateria de aproximadamente 30 kWh e oferece autonomia combinada de cerca de 206 quilômetros, podendo alcançar até 320 quilômetros em uso predominantemente urbano. O foco, portanto, está em deslocamentos diários e trajetos de curta distância.
No interior, o Super-N mantém soluções práticas típicas dos compactos japoneses. Os bancos receberam desenho específico para aumentar o apoio lateral, enquanto detalhes em azul fazem referência ao City Turbo II. A iluminação ambiente também muda de tonalidade quando o modo Boost é ativado, reforçando o caráter esportivo do veículo.
Com preço inicial inferior a 20 mil libras esterlinas (R$ 136 mil) no Reino Unido, o Super-N surge como uma tentativa da Honda de recuperar espaço no segmento de elétricos urbanos após a descontinuação do Honda e.
No entanto, antes de ser divertido e ter apelo emocional, é preciso ter preço. Por 20 mil libras, o consumidor britânico compra um Vauxhall Corsa (que é o primo inglês do Peugeot 208), com muito mais espaço e a tranquilidade de abastecer em qualquer esquina.