
Muita gente reclama que os carros estão todos iguais. De fato, qualquer tendência de design se espalha rapidamente. Haja visto os conjuntos óticos de dois ou três níveis, que se tornaram regra padrão na indústria. A Pontiac foi pioneira com o horroroso Aztek (o carro do Mr. White, de Breaking Bad), mas ninguém se lembra.
Por outro lado, quando alguma marca tenta sair da mesmice, há sempre o risco de ser apedrejada. A Hyundai há um bom tempo tem abusado de estilos exóticos em seus carros. O Hyundai Kona é um dos exemplos mais evidentes.
Seus elementos luminosos deslocados para as extremidades dos para-choques em posição rebaixada geram um certo desconforto ao primeiro olhar, uma vez que sempre fitamos a barra de LED na linha do capô. O mesmo se repete na traseira, com uma barra luminosa na linha do para-brisas e as lanternas repetindo a mesma ideia dos faróis.
É controverso e perturbador, mas curiosamente casa com o estilo vincado das linhas. Para quem quer fugir do senso comum, esse é seu SUV.
Mas a atual geração do Kona vai muito além das formas. Esse SUV híbrido (pleno) combina motor 1.6 com unidade elétrica, que juntos entregam 141 cv e 27 kgfm de torque combinados, atrelado a uma transmissão de seis marchas. O motorzinho é alimentado por uma bateria de 1,32 kWh. Ou seja, muito parecido com o que conhecemos com o Toyota Corolla Cross.
Testamos o Kona em todas as condições possíveis: na cidade, na estrada e na terra. No uso urbano, o torque do motor elétrico facilita as arrancadas e ultrapassagens. Mas isso não faz dele um corredor. A pequena bateria se descarrega rápido e quando chega no limite de recarga, o bloco 1.6 precisa assumir duas funções de forma simultânea.
Mas é um carro que é possível viajar com total segurança e conforto com a família. Por falar em conforto, o SUV é muito recheado e tenta justificar seu preço inicial de R$ 220 mil. Parece caro, mas a versão topo de linha do Creta não sai por menos de R$ 207 mil e sem ajuda do motor elétrico.
Na versão Signature (R$ 240 mil), o SUV conta com pacote ADAS completo, banco do motorista com ajuste elétrico, teto solar panorâmico, abertura elétrica do porta-malas, climatização digital de duas zonas, com repetidor para segunda fileira, câmera 360 graus, dentre outros recursos.
Kona na terra
O Kona não é um SUV off-road, mas se precisar encarar uma estrada de terra, ele vai bem. Pegamos um trecho de cerca de 30 km e o sul-coreano impressionou. A suspensão (que numa primeira impressão na rodovia se mostrou um pouco oscilante) chamou atenção por absorver a irregularidade na falta de asfalto. O SUV ignorou as costelas pelo caminho e não transformou o trajeto em suplício. Parabéns para a engenharia.
O isolamento também merece aplausos. Com tempo seco e uma poeira fininha, como talco, o carro ficou imundo, mas a sujeira se concentrou na parte exterior. Na cabine nem um grão invadiu e o sistema de filtragem da ventilação bloqueou toda e qualquer impureza.
Ah, ainda falta falar de consumo. Abastecido apenas com gasolina, o Kona registrou média de 21 km/l. Elas poderiam ter sido melhores se não fossem o trecho de 200 km de rodovia, ambiente em que não se tem tantas desacelerações para auxiliar na recarga da bateria.
Assim, o exótico Kona se mostra como uma opção para quem busca estilo próprio, mas não abre mão de eficiência e nem de conforto a bordo. É feio, mas é legal.