
A Nissan vive um momento delicado. A matriz anda ruim das pernas, o casamento com a Renault está mais frio que uma geleira. Tudo isso impacta nas operações das filiais, inclusive no Brasil.
Com bolso raso, a marca japonesa gastou o que tinha na renovação do Kicks, que chegou caríssimo, diga-se de passagem. Mas sabia que não poderia tirar o velho SUV da praça, que foi rebatizado de Kicks Play, pois ele ainda segura o grosso das vendas.
A solução foi aplicar uma grossa camada de maquiagem no Kicks (Play) e o vender como carro novinho. Visto de frente, parece um automóvel inédito, mas basta correr o olho pela lateral que o amigo irá reconhecer as portas, para-lamas e colunas. Até o recorte da moldura inferior é o mesmo.
As medidas são praticamente idênticas, com 4,30 m de comprimento (1 cm a menos que o Kicks Play), mas os mesmos 2,62 m de distância entre-eixos. Afinal é a mesma estrutura, apenas com as extremidades repaginadas.
O motor é o conhecido 1.6, de aspiração natural, que entrega 113 cv e 15,2 kgfm de torque. O bloco faz dele o mais fraquinho do segmento, só fica abaixo das versões de entradas dos aventureiros Pulse, Tera e Basalt, com unidades aspiradas.
E é com essa patota que o Nissan quer concorrer. Apesar da idade do projeto, que completa 10 anos em 2016, o japonês tem bons atributos que o posicionaram diante de rivais como Honda HR-V, Jeep Renegade, Hyundai Creta e Volkswagen T-Cross que hoje competem com o novo Kicks.
E se o Kait herdou tudo do Kicks Play, o lado positivo é que ele também trouxe os bons conteúdos e acabamento do antecessor. Assim, é um modelo que oferece muita comodidade como direção elétrica, ar-condicionado, quadro de instrumentos digital e assistentes de condução, nas versões mais abastadas.
O layout interno também é o mesmo, apesar de um tapinha visual no tampo do painel e nos difusores de ar-condicionado. E como é tão igual, nem o preço mudou. O Kait parte de R$ 117.990, podendo escalar para R$ 153 mil.
O curioso é que o lançamento foi estático, sem test drive. Mas nem precisava, afinal todo mundo conhece o Kait desde as Olimpíadas de 2016.