
Todo automóvel tem seus dias de glória que geralmente culminam numa melancólica aposentadoria, com perda de versões, conteúdos e simplificação para ganhar sobrevida. Mas com o Jeep Renegade a história tem se mostrado diferente.
Lançado em 2015, o compacto foi responsável pela inauguração da planta pernambucana de Goiana e testemunhou a chegada de Toro, Compass, Commander e Rampage. Em com a estreia próxima do Avenger (feito no Rio de Janeiro), era esperado uma discreta saída de cena do Renegade.
Ledo engano, o modelo chegou em sua linha 2026 com sistema eletrificado MHEV, acoplado ao motor T270 1.3 turbo de 176 cv e 27,5 kgfm de torque. Trata-se de uma solução parecida com a adotada nos primos Pulse, Fastback, 208 e 2008, além do próprio Avenger. A diferença é que o sistema do Renegade é mais robusto.
Em tese, o SUV ganhou um super alternador, que assume função de arranque, reduz os esforço dos pistões para funcionar os agregados e de quebra ainda pode enviar 6 kgfm de torque para auxiliar a unidade a combustão.
Tudo isso deixou o Renegade mais eficiente e reduziu o retardo da turbina em situações de baixa pressão. Mas a Stellantis exagerou um pouco na mão, pois removeu a tecla de desativação do Start/Stop e é nítido que a calibração do acelerador eletrônico ficou menos permissiva.
Assim, quando se pára numa ladeira e o motor desliga automaticamente, o Renegade demora um pouco para despertar e se deslocar. Mas é um inconveniente que é atenuado na bomba de combustível. Segundo o Inmetro, o consumo urbano com gasolina saltou de 11 km/l para 11,9 km/l. Com etanol ele foi de 7,7 km/l para 8,3 km/l.
Mudanças além do capô
O Renegade também passou por mais uma plástica. É a terceira intervenção estética no veterano. Mas basicamente se concentrou no para-choque e grade do radiador, que adota um estilo cubista para ficar parecido com o Avenger e as novas gerações de Cherokee e Compass, que já estrearam lá fora.
Por dentro, o SUV ganhou novo multimídia com tela flutuante e novo quadro de instrumentos digital. O mostrador ficou mais simples, assim como a qualidade dos materiais. O Renegade sempre foi referência em acabamento, mas passou a utilizar o plástico duro no lugar de materiais emborrachados. Coisas da idade.
Na versão Sahara, com preço sugerido de R$ 176 mil, o modelo conta com pacote ADAS, teto solar panorâmico, bancos em couro, além do conteúdos triviais como conexão para smartphones, carregamento sem fio, climatização digital, freio de estacionamento eletrônico e demais conteúdos que são commodities no segmento.
Apesar da idade avançada, o Renegade ainda tem seu "molho". É um carro com estilo inigualável, uma estrutura e suspensão muito refinadas, o que se traduz em excelente comportamento. Diante de muitos calouros que surgiram nos últimos anos, o velhinho ainda é referência.