
Quem acompanha o HD AUTO já deve ter notado que rotineiramente noticiamos a chegada de um SUV. Os utilitários-esportivos são soberanos mundo afora, e a indústria morre de amores por eles, pois são muito mais rentáveis que hatches e sedãs. Mas algumas marcas estão apostando em antigos formatos.
Talvez seja para fugir da mesmice, ou atender a nichos, assim como o anúncio de uma saturação do segmento SUV. Seja como for, muitas marcas buscam novas apostas que vão além das linhas abrutalhadas de um utilitário.
E, enquanto boa parte da indústria concentra seus investimentos em utilitários esportivos, a Dacia decidiu seguir um caminho diferente. A marca romena, pertencente ao Grupo Renault, apresentou o Striker, um crossover de 4,62 metros que combina características de perua, hatch médio e, claro, de um SUV. O modelo amplia a presença da fabricante no segmento C europeu, que corresponde aos nossos médios, e será comercializado por menos de 25 mil euros, valor que o posiciona entre as opções eletrificadas de acesso.
A proposta do Striker é reunir atributos de diferentes tipos de carroceria. A altura livre do solo lembra a de um SUV, enquanto o perfil baixo e alongado favorece a aerodinâmica, reduzindo consumo e emissões. O resultado é um veículo voltado para consumidores que buscam a praticidade de um utilitário, mas preferem a dinâmica de condução e a eficiência de um automóvel convencional.
O lançamento também representa uma mudança na estratégia da Dacia. Depois do Bigster, que levou a marca ao segmento dos SUVs médios, o Striker amplia a atuação da fabricante com uma proposta menos convencional, voltada para mercados onde as peruas ainda preservam espaço entre consumidores que priorizam capacidade de carga e eficiência. A fabricante afirma que o modelo foi desenvolvido para atender famílias e clientes de frotas, conciliando preço competitivo e baixo custo operacional.
Apesar de as peruas não terem a menor chance de sucesso no Brasil, o Striker pode indicar futuros passos da Renault por aqui. O modelo utiliza a plataforma modular RGMP, a mesma empregada pelo Boreal, Kardian e a futura Oroch, o que abre a possibilidade de uma adaptação regional. Claro que tudo ainda é especulação, mas a Renault tem feito trabalho intenso para elevar sua percepção de prestígio e, num futuro não muito distante, precisará de um sucessor do Duster, seria uma derivação do Striker?
Enquanto a questão não é respondida, vamos à perua romena. Seu porta-malas oferece até 600 litros de capacidade e conta com piso modular dividido em três partes. A cabine acomoda cinco ocupantes e incorpora tela multimídia de 10 polegadas, painel digital de 7 polegadas, diversos porta-objetos e tampa traseira com acionamento elétrico nas versões superiores. O acabamento também recebeu reforços no isolamento acústico em relação aos atuais modelos da Dacia.
A gama será formada exclusivamente por motores eletrificados. A opção de entrada utiliza um motor 1.2 turbo de três cilindros com sistema híbrido leve e possibilidade de funcionamento com GLP em alguns mercados. Acima dela haverá um conjunto híbrido completo formado por motor 1.8 aspirado e dois motores elétricos. A versão mais sofisticada combina o propulsor 1.2 turbo com um motor elétrico no eixo traseiro, formando um sistema de tração integral eletrificada com 150 cv.
Apesar de ter sido desenvolvido inicialmente para a Europa, o Striker reforça uma tendência de diversificação do mercado. Em vez de apostar apenas em SUVs, a proposta recupera o conceito das peruas elevadas como Audi Allroad, Subaru Forester e Volvo XC70, que fizeram sucesso há mais de 30 anos, quando estes fabricantes ainda não tinham seus SUVs grandalhões. É uma espécie de caminho inverso, mas que indica que toda moda é passageira.