PASSADO E FUTURO

Nova geração do BMW Série 3 ganha estilo inspirado no conceito Neue Klasse

Oitava geração do Série 3 estreia com visual arrojado, que foge do conservadorismo em torno do principal modelo da marca

Marcelo Jabulas@garagemdojabulas
Publicado em 05/10/2026 às 13:49.
 (Foto: BMW/Divulgação)
(Foto: BMW/Divulgação)

Toda marca tem seu carro-chefe. É o modelo de maior apelo de mercado. Aquele carro que vende muito, bem resolvido e que o mercado gosta e confia. Geralmente, estes carros recebem um tratamento especial no desenvolvimento, sem grandes abusos de estilo ou inovações pitorescas. É o porto seguro da fabricante.

Na BMW esse carro é o Série 3 há meio século. Um modelo tratado com o máximo de cuidado, que evolui gradualmente para não afugentar a clientela. Mas com o avanço da eletrificação e principalmente da indústria chinesa, não dá para ser conservador.

E agora, a BMW vai para o “tudo ou nada” com a oitava geração do Série 3. O sedã passa a incorporar a linguagem visual e a arquitetura eletrônica da Neue Klasse, mas sem abandonar os motores a combustão. A estratégia coloca lado a lado versões elétricas e a gasolina dentro da mesma família, enquanto o M350 xDrive assume o posto de topo entre as configurações equipadas com motor térmico.

A decisão é relevante porque o Série 3 foi um dos modelos que ajudaram a consolidar a BMW como fabricante de sedãs esportivos. Desde 1975, o modelo atravessou sete gerações e diferentes ciclos tecnológicos, passando por motores de quatro, seis e oito cilindros, além de sistemas de injeção eletrônica, turboalimentação e eletrificação.

Agora, a oitava geração mantém essa trajetória com uma gama que combina diferentes sistemas de propulsão. O BMW i3 representa a versão totalmente elétrica, enquanto o Série 3 convencional continua utilizando motores a gasolina com tecnologia híbrida leve de 48 volts. A BMW também prevê uma configuração híbrida plug-in para a linha.

M350 xDrive tem seis cilindros

O M350 xDrive ocupa a posição de maior desempenho entre os Série 3 a combustão. O modelo utiliza motor 3.0 de seis cilindros em linha, associado ao sistema híbrido leve de 48 volts e ao câmbio automático de oito marchas. A potência chega a 443 cv, com aceleração de 0 a 100 km/h em 4,1 segundos e velocidade máxima limitada eletronicamente a 250 km/h.

A tração integral xDrive é de série, assim como a suspensão adaptativa M, direção esportiva variável e diferencial M Sport. Outra novidade é o Drift Moment, função que permite direcionar a força para as rodas traseiras para produzir deslizamentos controlados. O recurso será disponibilizado em 2027 por atualização de software, inclusive para unidades já entregues.

Abaixo do M350 xDrive ficam as versões 330 e 330 xDrive, ambas equipadas com motor 2.0 de quatro cilindros e sistema híbrido leve de 48 volts. Dessa forma, a BMW preserva uma gama de motores térmicos enquanto amplia a oferta elétrica.

Novo desenho divide opiniões

A mudança mais perceptível está no desenho. O novo Série 3 adota a linguagem da Neue Klasse, que já havia sido apresentada nos novos modelos elétricos da BMW. A dianteira concentra grade, faróis e sensores em uma composição visual única, enquanto as luzes assumem disposição mais horizontal.

O resultado rompe com a interpretação utilizada nas últimas gerações e pode gerar opiniões divergentes entre os fãs da marca. A BMW amplia o tamanho visual da dianteira, reduz elementos decorativos e trabalha com superfícies mais limpas. A identidade passa a depender menos da tradicional grade isolada e mais da combinação entre iluminação, proporções e volumes da carroceria.

Ao mesmo tempo, o desenho procura recuperar elementos históricos. A silhueta preserva a configuração clássica do sedã esportivo, com capô longo, habitáculo recuado, balanços curtos e forte presença das caixas de roda. A dianteira também recupera o conceito de sharknose, usado em diferentes momentos da história da BMW, principalmente nos anos 1970 e 1980, como na primeira geração do Série 6 e também no clássico E30.

Os faróis duplos continuam presentes, mas foram reinterpretados dentro de uma estrutura horizontal. Na traseira, as lanternas também adotam disposição predominantemente horizontal, enquanto o emblema aparece entre os conjuntos ópticos.

A estratégia representa uma tentativa de criar uma identidade visual que funcione para carros elétricos e a combustão. Em vez de separar completamente as duas famílias, a BMW utiliza uma mesma linguagem para o Série 3 e o i3, diferenciando-os principalmente por detalhes relacionados ao sistema de propulsão.

A mudança também ocorre no interior. O painel recebe o BMW Panoramic iDrive, com projeção de informações no campo de visão do motorista, além de uma tela central de 17,9 polegadas. O sistema operacional passa a ser parte importante da experiência de uso, seguindo a estratégia adotada pela Neue Klasse.

A nova geração do Série 3 começa a ser produzida para o mercado internacional no início de 2027. As versões elétricas serão fabricadas em Munique, enquanto os modelos equipados com motores a combustão serão produzidos em Dingolfing, também na Alemanha. Sua chegada por aqui deve ocorrer ainda no primeiro semestre e certamente com montagem em Araquari (SC).

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