
A Fiat confirmou que seu próximo modelo de entrada será batizado de Argo X. O anúncio foi feito durante as comemorações pelos 50 anos da marca no Brasil e do Polo Automotivo de Betim (MG), onde o novo compacto será produzido. O lançamento está previsto para ainda em 2026 e marca o início de uma nova fase da estratégia da fabricante para o segmento de compactos.
Apesar do nome remeter ao hatch lançado em 2017, o Argo X será um projeto completamente novo. O modelo brasileiro deriva do Grande Panda vendido na Europa, utilizando a mesma arquitetura modular CMP, adotada na Peugeot, Citroën e Jeep, mas terá identidade própria. A Fiat prepara uma dianteira exclusiva, alterações na traseira e acabamento adaptado ao gosto do consumidor brasileiro, diferenciando o veículo do modelo europeu, que faz referências à primeira geração do Panda e elementos que remetem à fábrica de Lingotto, em Turim, que não fazem muito sentido por aqui.
Além das mudanças visuais, o conjunto mecânico também será específico para o mercado nacional. Em vez das motorizações eletrificadas disponíveis na Europa, o Argo X deverá utilizar os motores já produzidos pela Stellantis no Brasil. A expectativa é que o SUV compacto seja equipado com o três-cilindros Firefly 1.0 aspirado e com o T200 1.0 turbo flex, associado ao câmbio automático CVT nas versões mais completas, assim como opção com módulo híbrido leve.
O Argo X será o primeiro modelo inédito produzido em Betim dentro do plano de investimentos de R$ 32 bilhões anunciado pela Stellantis para a América do Sul até 2030. Desse total, R$ 14 bilhões serão destinados ao complexo mineiro, que passa por um amplo processo de modernização para receber novos produtos baseados na plataforma modular.
Duas gerações
A Fiat também confirmou que o Argo atual continuará em produção. Na prática, o hatch permanecerá como uma opção de entrada, enquanto o Argo X ampliará a presença da marca em um segmento de maior valor agregado, hoje dominado por SUVs compactos. A estratégia segue o movimento do mercado brasileiro, que vem registrando migração dos consumidores dos hatches tradicionais para utilitários esportivos.
A escolha do nome busca aproveitar a força comercial do Argo, um dos automóveis mais vendidos do país desde seu lançamento. Ao manter essa identidade, a Fiat não quer criar atrito com o mercado, com uma possível perda de valor residual do carro usado. "Quando tiramos um modelo de linha, há uma frustração grande do mercado, pois acentua a desvalorização. Tivemos esse problema no passado, mas hoje temos uma nova diretriz de preservar nossos modelos, explicou o presidente da Stellantis para América Latina, Herlander Zola.
O Argo X será o primeiro modelo de uma nova família que contará com cinco novos produtos, que serão lançados até 2030, como parte de renovação da gama.